Inclusão de imigrantes pode ajudar a reduzir escassez de motoristas no transporte

Projeto Rotas de Inclusão cria metodologia para transportadoras recrutarem, capacitarem e reterem imigrantes e refugiados. 65,1% das empresas apontam motorista como principal carência de mão de obra.

A escassez de motoristas profissionais, um dos principais desafios enfrentados pelo transporte rodoviário brasileiro, motivou o desenvolvimento do Rotas de Inclusão, projeto que orienta transportadoras a recrutar, capacitar e reter imigrantes e refugiados para atuar como motoristas e profissionais de áreas operacionais. A iniciativa alia inclusão social à gestão estratégica de pessoas e oferece uma metodologia para ampliar a oferta de mão de obra qualificada no setor.

A origem do projeto

O projeto foi elaborado por executivos da 71ª turma da Especialização em Gestão de Negócios, curso integrante do Programa Avançado de Capacitação do Transporte, coordenado pelo ITL (Instituto de Transporte e Logística), promovido pelo SEST SENAT e ministrado pela FDC (Fundação Dom Cabral).

Participaram do desenvolvimento Jacqueline Queiroz (Rodonaves), Carlos Lacerda (Opção JCA), Bruno da Silva Santos (LP Guizilim), Cibele Thais Telles (JCA) e Wagner Militani da Silva (Suzantur).

O problema identificado

Segundo Jacqueline Queiroz, gerente de SESMT da Rodonaves, muitos imigrantes e refugiados já ocupam funções operacionais nas empresas, mas a contratação costuma ocorrer de forma pouco estruturada.

“Falta um programa de acolhimento, capacitação e acompanhamento. Isso dificulta a retenção desses profissionais e limita o potencial de contribuição que eles podem oferecer ao setor”, afirma.

A metodologia em 4 etapas

O guia reúne orientações para recrutamento, regularização documental, capacitação técnica e linguística, integração cultural e acompanhamento dos profissionais, transformando iniciativas pontuais em uma política estruturada de gestão de pessoas:

  1. Recrutamento e regularização documental — parcerias com organizações de acolhimento, instituições de formação e órgãos públicos
  2. Capacitação técnica, linguística e sensibilização das equipes — preparação do profissional e do ambiente de trabalho
  3. Mentoria e integração cultural — acompanhamento estruturado do novo colaborador
  4. Avaliação contínua por indicadores de desempenho — mensuração de resultados

Ferramentas práticas disponibilizadas

O guia também disponibiliza ferramentas para facilitar a implementação:

Modelos de plano de ação (5W2H)
Checklists de conformidade legal
Kits de integração
Painéis de indicadores adaptáveis à realidade de cada transportadora

Outro diferencial é a utilização do conceito de Retorno Social sobre o Investimento (SROI), que permite mensurar os impactos gerados para empresas, trabalhadores, famílias, comunidades e poder público. O material identifica riscos operacionais, como barreiras linguísticas e atrasos na regularização documental, propondo medidas para mitigá-los.

O tamanho do desafio

A relevância da iniciativa é reforçada pelos dados da CNT:

Indicador Dado
Empresas com motorista como principal carência 65,1%
Transportadoras de cargas com vagas abertas 44,6%
Transportadoras com 5+ postos sem preenchimento Mais da metade
Transporte de passageiros com dificuldade de contratação 53,4%
Participação do rodoviário na matriz de cargas 64,85%
Receita do setor concentrada no rodoviário 44%
Trabalhadores formais no modal 1,3 milhão
Novos empregos gerados em 2025 47.440

Leitura estratégica

O modal rodoviário concentra 64,85% da matriz brasileira de transporte de cargas e gerou 47.440 novos empregos em 2025 — evidenciando que a demanda por motoristas continua crescendo em ritmo superior à oferta de profissionais qualificados.

Para as transportadoras, o Rotas de Inclusão representa uma resposta prática e estruturada a esse gargalo:

Ampliação do pool de candidatos — acesso a uma força de trabalho qualificável e disponível
Redução do tempo de contratação — metodologia estruturada de recrutamento e regularização
Maior retenção — programa de acolhimento, mentoria e integração cultural
Conformidade legal — checklists e orientações de regularização documental
Mensuração de impacto — SROI para avaliar retorno social e econômico

Como afirmou o diretor executivo do ITL, João Victor Mendes: “Nosso objetivo é conectar teoria e prática para gerar resultados concretos. O Rotas de Inclusão transforma conhecimento em uma metodologia capaz de ajudar as empresas a enfrentar a escassez de mão de obra, fortalecer sua competitividade e contribuir para um transporte mais eficiente.”

Fonte: Agência CNT Transporte Atual

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