Fechamento histórico da fronteira entre Chile e Argentina amplia impactos ao transporte internacional e preocupa empresas brasileiras

Sistema Integrado Cristo Redentor supera 20 dias de interdição, com 6,6 metros de neve e mais de 2 mil caminhões retidos. Transportadoras brasileiras acumulam prejuízos e enfrentam risco no regime aduaneiro.

O prolongado fechamento do Sistema Integrado Cristo Redentor (Paso Los Libertadores), principal corredor rodoviário entre Chile e Argentina, tem provocado uma das mais graves crises logísticas da América do Sul dos últimos anos. Interditada desde meados de julho em razão das intensas nevascas, do elevado risco de avalanches e das condições extremas na Cordilheira dos Andes, a passagem já supera 20 dias consecutivos de fechamento, tornando-se o segundo maior período de interrupção da história do complexo fronteiriço — situação comparada pelas autoridades chilenas apenas aos grandes eventos climáticos registrados em 1997.

A dimensão da crise

Segundo informações das autoridades chilenas, o complexo fronteiriço já registra aproximadamente 6,6 metros de neve acumulada, volume considerado excepcional para a região. Equipes de Viabilidade, Defesa Civil e da Escola de Alta Montanha do Exército do Chile trabalham continuamente na remoção da neve, monitoramento das encostas e avaliação do risco de avalanches.

Apesar dos esforços, a reabertura depende exclusivamente da garantia de condições seguras para o tráfego, e novas precipitações podem prolongar ainda mais a interrupção.

O impacto sobre o transporte internacional

Estima-se que mais de dois mil caminhões permaneçam retidos, principalmente na província de Mendoza, na Argentina, aguardando a liberação da travessia. Entre eles estão centenas de veículos brasileiros que realizam operações de comércio exterior, transportando:

✓ Veículos

✓ Autopeças

✓ Alimentos

✓ Medicamentos

✓ Máquinas e equipamentos

✓ Produtos industrializados destinados ao mercado chileno

O corredor é considerado a principal ligação terrestre entre Chile e Argentina e um dos mais importantes do Corredor Bioceânico Central, sendo estratégico para a integração logística da América do Sul.

Os prejuízos acumulados

Além dos atrasos nas entregas, as transportadoras acumulam prejuízos decorrentes da permanência dos veículos parados:

Despesas com alimentação dos motoristas ✓ Combustível e hospedagemReprogramação das operaçõesCustos adicionais relacionados ao cumprimento dos contratos

Outro fator que preocupa o setor é o vencimento dos prazos dos regimes de trânsito aduaneiro, situação que foge completamente ao controle das empresas e pode gerar reflexos administrativos e financeiros para toda a cadeia logística internacional.

Retomada gradual

Mesmo quando a fronteira for reaberta, especialistas avaliam que o retorno à normalidade será gradual. O elevado número de caminhões represados exigirá uma operação coordenada entre Chile e Argentina para liberar o fluxo de veículos de forma segura, processo que poderá levar vários dias ou até semanas, desde que as condições meteorológicas permaneçam favoráveis e não ocorram novas tempestades de neve.

A posição da NTC&Logística

Para o vice-presidente extraordinário de Relações Internacionais da NTC&Logística, Danilo Guedes, o episódio evidencia a importância da cooperação entre os países e da construção de protocolos para situações excepcionais que afetam o comércio internacional.

“Estamos diante de uma situação absolutamente excepcional. O Sistema Cristo Redentor é um dos principais corredores logísticos da América do Sul e sua interrupção prolongada provoca impactos que vão muito além do atraso nas entregas. As transportadoras enfrentam aumento significativo dos custos operacionais, dificuldades relacionadas aos regimes aduaneiros e incertezas que afetam toda a cadeia de abastecimento. Sabemos que a segurança deve ser prioridade diante das condições climáticas extremas, mas esse cenário reforça a necessidade de uma atuação coordenada entre os governos, autoridades de fronteira e órgãos aduaneiros para minimizar os prejuízos e garantir maior previsibilidade ao transporte internacional de cargas.”

Leitura estratégica

O fechamento do Sistema Cristo Redentor expõe uma vulnerabilidade estrutural do transporte internacional de cargas na América do Sul: a dependência de corredores únicos e a ausência de protocolos robustos para situações excepcionais.

Para as transportadoras que operam comércio exterior para o Chile, a recomendação é:

Mapear rotas alternativas e avaliar a viabilidade de desvios
Revisar contratos com cláusulas de força maior e imprevisibilidade
Acompanhar de perto os prazos dos regimes de trânsito aduaneiro e buscar prorrogações junto às autoridades
Planejar estoques e prazos considerando a possibilidade de interrupções prolongadas

A NTC&Logística acompanha a evolução do cenário e reforça a importância da cooperação entre Brasil, Chile e Argentina para reduzir os impactos econômicos e operacionais sobre o Transporte Rodoviário de Cargas. Para a entidade, além da segurança dos motoristas e da retomada das operações, será fundamental a adoção de medidas excepcionais de coordenação entre os órgãos de fronteira e as autoridades aduaneiras, permitindo que o fluxo de cargas seja restabelecido com agilidade e previsibilidade, preservando a competitividade do comércio internacional e o abastecimento das cadeias produtivas da região.

Fonte: NTC&Logística

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