Adeus às filas no pedágio: free flow promete mudar acesso de cargas ao Porto de Santos

Sistema de pedágio eletrônico entra em operação em 1º de agosto na Anchieta-Imigrantes. Tecnologia elimina praças físicas, reduz paradas e aumenta previsibilidade das viagens de carga.

A implantação do sistema de pedágio eletrônico free flow no sistema Anchieta-Imigrantes, que entrou em operação em 1º de agosto, deve alterar a dinâmica de um dos corredores logísticos mais importantes do país. A tecnologia substitui as atuais praças de cobrança por pórticos eletrônicos e promete eliminar as paradas obrigatórias no principal acesso rodoviário ao Porto de Santos.

O que muda na prática

Para o transporte de cargas, especialmente de veículos zero-quilômetro, a mudança pode representar ganhos operacionais significativos:

Redução de filas: fim das paradas obrigatórias nas praças
Menor tempo de viagem: fluxo contínuo no corredor
Maior previsibilidade: cumprimento dos horários de entrega
Redução de custos: menos consumo de combustível com paradas e retomadas

O corredor entre São Paulo e a Baixada Santista é utilizado diariamente por uma ampla variedade de operações logísticas ligadas ao maior porto do país.

Como funciona a cobrança

Os novos pórticos fazem a identificação automática dos veículos em movimento:

  • Automóveis: cobrança na descida e na subida da serra
  • Caminhões: cálculo continua considerando a quantidade de eixos apoiados no pavimento, mantendo a possibilidade de redução do valor pago pelos veículos que retornam vazios

O impacto para o setor de veículos zero-quilômetro

Para o Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), entidade que representa mais de 5 mil profissionais especializados no transporte de veículos zero-quilômetro, o principal impacto do novo modelo está na eliminação de um gargalo histórico da operação.

“Quem trabalha com logística sabe que o problema nunca foi apenas o valor do pedágio, mas o tempo perdido para atravessá-lo. Cada fila interrompe o ritmo da viagem, aumenta o consumo de combustível e dificulta o cumprimento dos horários programados de entrega”, afirma o presidente do Sinaceg, José Ronaldo Marques da Silva, conhecido como Boizinho.

“Quando essa parada deixa de existir, a operação ganha previsibilidade, melhora o planejamento das viagens e reduz custos ao longo de toda a cadeia do transporte de veículos”, diz.

Adaptação dos transportadores

Além de eliminar as interrupções, o sistema free flow muda a relação entre usuários e concessionárias:

  • Com tag eletrônica: pagamento automático mantido
  • Sem dispositivo: consulta de débitos em plataforma do Governo de São Paulo e pagamento dentro do prazo estabelecido
  • Fiscalização ampliada: pórticos integram o programa Muralha Paulista, com compartilhamento de informações com a Polícia Militar Rodoviária

Para o diretor regional do Sinaceg, Márcio Galdino, a implantação representa uma mudança operacional que exigirá adaptação dos profissionais. “O motorista deixa de interagir com a praça de pedágio e passa a administrar uma viagem conectada. A tecnologia precisa simplificar a rotina de quem vive na estrada. Se o acesso às informações de cobrança for rápido e transparente, os benefícios aparecerão naturalmente na operação”, afirma.

A adoção do free flow na Anchieta-Imigrantes acompanha uma tendência já consolidada em outros países, na qual a cobrança deixa de depender de paradas físicas e passa a ser integrada ao fluxo normal dos veículos.

Para as transportadoras que operam no corredor São Paulo–Baixada Santista, a recomendação é clara:

Adote tag eletrônica: garante pagamento automático e evita risco de multa por atraso
Estruture processo interno de controle de débitos: para veículos sem tag, o monitoramento do prazo de pagamento é essencial
Revise o planejamento de rotas: a eliminação das filas permite janelas de entrega mais precisas
Acompanhe a integração com o Muralha Paulista: a fiscalização eletrônica ampliada reforça a importância da regularidade documental e de pagamento

A expectativa do setor é que a nova tecnologia contribua para tornar o corredor mais eficiente, reduzindo interrupções em uma rota estratégica para o abastecimento do mercado interno e para o escoamento de cargas pelo Porto de Santos.

Fonte: Agência Transporte Moderno

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