ANTT diz ter superado crise das concessões e prepara nova fase da infraestrutura

Diretor-geral da agência afirma que prioridade agora é integrar modais, ampliar investimentos privados e destravar projetos ferroviários. Malha concedida deve saltar de 18 mil para 25 mil km.

Depois de cinco anos dedicados à reestruturação de concessões rodoviárias que enfrentavam dificuldades para executar investimentos, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) pretende concentrar a próxima etapa da agenda de infraestrutura na expansão da malha concedida, na integração entre rodovias, ferrovias e portos, e na retomada dos investimentos ferroviários. A estratégia foi apresentada pelo diretor-geral da agência, Guilherme Theo Sampaio, durante o Seminário LIDE Transportes, realizado em 30 de julho, em São Paulo.

A recuperação dos contratos

Segundo Sampaio, a recuperação dos contratos considerados problemáticos era uma condição necessária para restabelecer a confiança dos investidores e permitir uma nova rodada de concessões.

“Mais importante do que fazer novos leilões era solucionar os problemas existentes. Quem estava estressado era o poder público, que não via as obras acontecerem; o investidor, que aplicava recursos sem obter retorno, e o usuário, que pagava pedágio sem receber a infraestrutura esperada”, afirmou.

A revisão desses contratos permitiu destravar investimentos em concessões estratégicas como a BR-163 e a Fernão Dias, ao mesmo tempo em que abriu espaço para uma nova carteira de projetos.

Os números da nova fase

Indicador Dado
Malha concedida atual 18 mil km
Meta para o próximo ano 25 mil km
Investimentos previstos (10 anos) R$ 400 bilhões
Participação privada no Novo PAC 70%
Novos leilões previstos em 2026 Rodoviários + 2 ferroviários

Infraestrutura como serviço, não como obra

Para Sampaio, a nova fase das concessões também representa uma mudança no próprio conceito de infraestrutura. Se no passado o foco estava na execução de obras, agora a expectativa dos usuários está relacionada à eficiência operacional e à integração logística.

“O usuário já não quer apenas duplicação. Ele quer uma viagem mais fluida, pedágio eletrônico, conectividade, corredores para combustíveis de baixa emissão e integração intermodal”, afirmou.

Essa evolução também explica a retomada do interesse de investidores privados, impulsionada pela previsibilidade regulatória, pelos mecanismos de reequilíbrio contratual e por uma visão mais integrada da logística nacional.

Ferrovias ganham prioridade

Embora o modal rodoviário concentre hoje a maior parte da carteira de concessões, Sampaio afirmou que a ANTT trabalha para acelerar a retomada dos investimentos ferroviários. A estratégia combina:

Renovações antecipadas de contratos existentes
Novos leilões ferroviários
Autorizações ferroviárias incluindo short lines para conectar polos industriais à malha nacional
Novos instrumentos de financiamento para ampliar atratividade econômica

“O ferroviário exige investimentos muito superiores aos do modal rodoviário. Enquanto um quilômetro de rodovia custa entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões, um quilômetro de ferrovia pode chegar a cerca de R$ 25 milhões. Isso exige novas formas de financiamento e estímulos para ampliar a participação do setor privado”, explicou.

A agência trabalha com a expectativa de realizar ainda este ano novos leilões rodoviários e pelo menos dois ferroviários, além de avançar nas autorizações para short lines, como a ligação ferroviária em implantação para atender à unidade da Arauco, em Três Lagoas (MS).

O que isso significa para o transportador

A nova fase de concessões anunciada pela ANTT tem implicações diretas para as transportadoras:

Mais rodovias concedidas significa mais investimento em manutenção, sinalização e segurança viária — redução de custos com sinistros e avarias
Pedágio eletrônico (free flow) como padrão em novos contratos reduz tempo de viagem e custo operacional com paradas
Integração rodovia-ferrovia pode, no médio prazo, oferecer alternativas modais para cargas de longa distância, reduzindo custos e desgaste da frota
Short lines ferroviárias conectando polos industriais ampliam as opções logísticas para escoamento de produção
Previsibilidade regulatória reduz risco de descontinuidade de investimentos e garante manutenção da malha ao longo do tempo

A fala do diretor-geral da ANTT sinaliza um amadurecimento da política de concessões no Brasil. A superação da crise contratual, que travou investimentos por anos, combinada à previsibilidade regulatória e à integração multimodal cria um ambiente mais favorável para o transportador.

Para as transportadoras, a recomendação é acompanhar de perto os próximos leilões e os projetos ferroviários autorizados. A expansão da malha concedida e a integração com ferrovias podem redefinir rotas, custos e competitividade nos próximos anos.

Fonte: Agência Transporte Moderno

SETCOM — Mais próximo, mais atuante e mais expressivo!

× WhatsApp