Setor de transportes interrompe queda e avança 0,9% em abril, aponta CNT
Transporte de cargas opera 35,8% acima do pré-pandemia. Diesel recua 2,34% em maio, e Selic cai para 14,25% ao ano.
O setor de transportes voltou a crescer em abril, segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) analisados pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). Após recuar 1,6% em março, a atividade avançou 0,9% no mês seguinte, impulsionada principalmente pelo transporte aéreo e pelos serviços de armazenagem e atividades auxiliares aos transportes.
Os dados integram a edição de junho do Boletim de Conjuntura Econômica da CNT, que reúne os principais indicadores com impacto sobre o transporte brasileiro.
Cargas seguem em patamar elevado
Apesar das oscilações mensais, o transporte de cargas mantém trajetória de expansão consistente. O nível de atividade do setor está 35,8% acima do registrado em fevereiro de 2020, antes da pandemia. No transporte como um todo, o volume de serviços permanece 19,2% superior ao período pré-pandemia.
Esses números indicam que o setor não apenas se recuperou das perdas da crise sanitária, mas consolidou um patamar operacional mais alto, sustentado pelo crescimento da economia, pelo avanço do agronegócio e pela resiliência da demanda logística.
Alívio nos combustíveis
O óleo diesel, principal insumo do transporte rodoviário de cargas, apresentou redução de 2,34% em maio, após as fortes altas observadas nos meses anteriores. O movimento representa um alívio para os custos operacionais das empresas, embora o combustível ainda acumule elevação de 14,51% nos últimos 12 meses.
A publicação destaca ainda que a produção nacional de petróleo alcançou nível recorde em março de 2026, com aproximadamente 131,7 milhões de barris produzidos no mês — crescimento de 17,0% na comparação anual. Para o transportador, a ampliação da produção doméstica é um fator relevante para o abastecimento energético e para o acompanhamento dos custos relacionados aos combustíveis.
Selic cai para 14,25%
No campo monetário, o Copom reduziu a taxa Selic para 14,25% ao ano em 17 de junho, promovendo o terceiro corte consecutivo dos juros básicos. Para o setor de transporte, a tendência de queda da Selic tende a favorecer o acesso ao crédito e reduzir os custos financeiros relacionados ao capital de giro e aos investimentos em renovação e ampliação de frota.
PIB e atividade econômica
O PIB brasileiro avançou 1,1% no primeiro trimestre de 2026 na comparação com o trimestre anterior, alcançando R$ 3,25 trilhões, e registrou crescimento de 1,8% frente ao mesmo período de 2025. O setor de transporte, armazenagem e correio apresentou retração de 0,7% na comparação trimestral, mas manteve crescimento de 0,7% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.
O consumo das famílias continuou sendo o principal componente da demanda, enquanto os investimentos recuaram 1,4% no período. Em contrapartida, as exportações cresceram 7,4%, contribuindo para sustentar a atividade econômica no início do ano.
O que esperar
Para o transportador, o cenário combina sinais positivos e pontos de atenção. A atividade do setor segue aquecida, com demanda consistente e patamar operacional elevado. O alívio nos combustíveis e a queda da Selic melhoram as condições de curto prazo. Por outro lado, a inflação acima do teto da meta (4,72% em 12 meses) e a incerteza sobre os próximos movimentos do Copom exigem planejamento financeiro e gestão de custos.
Crédito/Fonte
Agência CNT Transporte Atual
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