Rodovias ruins elevam custo do transporte em Minas e pressionam preço dos alimentos

Com 65,4% das rodovias mineiras em condição regular, ruim ou péssima, o transportador enfrenta aumento de 34,8% no custo operacional, com reflexos no frete, na competitividade e no preço final dos alimentos.

As condições precárias da infraestrutura rodoviária em Minas Gerais seguem produzindo efeitos diretos sobre a operação do transporte rodoviário de cargas e impactos indiretos sobre toda a cadeia de abastecimento. Segundo dados citados em reportagem de O Tempo, 65,4% das rodovias mineiras foram classificadas como regulares, ruins ou péssimas, cenário que amplia custos, reduz eficiência e aumenta a pressão sobre o preço final das mercadorias.

Para o transportador, o impacto é objetivo. De acordo com a CNT, operar nas rodovias mineiras gera um acréscimo de 34,8% no custo operacional. Isso significa mais gasto com combustível, maior desgaste de pneus e componentes, mais tempo em trânsito, maior exposição a riscos e menor previsibilidade na operação. Em um ambiente de margens pressionadas, esse aumento compromete diretamente a competitividade das empresas.

A lógica é simples: quando a rodovia impõe perda de produtividade, o custo do deslocamento sobe e o frete sente esse efeito. Em vez de uma operação mais fluida e eficiente, a transportadora precisa absorver ou repassar um custo extra provocado por gargalos estruturais que não estão sob seu controle.

O cenário também pesa sobre o consumo de diesel. Em 2025, as más condições das rodovias em Minas causaram consumo adicional de 176,9 milhões de litros, com impacto estimado em R$ 1,05 bilhão. Além do prejuízo econômico, o problema amplia o passivo ambiental, com emissão extra de 460,41 mil toneladas de gases de efeito estufa.

Na prática, isso reforça um ponto estratégico para o TRC: infraestrutura ruim não afeta apenas a viagem, mas toda a lógica de custo da operação. Combustível, tempo de percurso, manutenção, disponibilidade da frota e planejamento logístico passam a trabalhar sob pressão maior, dificultando ganhos de produtividade.

O reflexo chega com força ao abastecimento. Como mais de 90% dos alimentos e bebidas são transportados por rodovias, qualquer elevação persistente no custo logístico tende a ser repassada ao longo da cadeia. Esse efeito é ainda mais sensível no caso de produtos perecíveis, como frutas, verduras e hortaliças, que dependem de transporte mais eficiente, rápido e previsível.

Do ponto de vista econômico, o tema vai além de um choque pontual de combustível. Especialistas ouvidos na reportagem destacam que gargalos estruturais de infraestrutura geram uma pressão inflacionária mais persistente, porque reduzem a eficiência sistêmica da economia e encarecem permanentemente a circulação de mercadorias. Para o transportador, isso significa operar em um ambiente de custo elevado e menor capacidade de planejamento.

Por isso, a discussão sobre infraestrutura precisa permanecer no radar do setor. Melhorar a qualidade das rodovias não é apenas uma pauta de mobilidade, mas uma medida com efeito direto sobre segurança viária, custo operacional, produtividade da frota, competitividade do TRC e estabilidade do abastecimento. Em Minas e no Brasil, investir em infraestrutura é também reduzir ineficiências que hoje recaem sobre as transportadoras e, no fim da cadeia, sobre toda a sociedade.

Crédito/Fonte
O Tempo

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