Mercado de caminhões menor já reduz nível de empregos nas montadoras
Setor perdeu cerca de 10% do efetivo em um ano, enquanto produção de caminhões caiu 14,4% no primeiro semestre de 2026, pressionada por juros altos e fim dos incentivos do Move Brasil

A crise no mercado de caminhões já começou a provocar um ajuste significativo nas fábricas. Na comparação entre o primeiro semestre de 2026 e o mesmo período de 2025, as montadoras de veículos pesados passaram a empregar 2.300 trabalhadores a menos, o equivalente a cerca de 10% do efetivo do segmento, segundo a Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
O que isso significa para o transportador? A retração na produção reflete diretamente a queda na demanda por caminhões novos, um sinal de que o setor enfrenta um período de aperto.
Entre janeiro e junho, foram produzidos 56.798 caminhões, queda de 14,4% em relação às 66.371 unidades do mesmo período de 2025. O segmento de ônibus, por outro lado, registrou crescimento de 3,2%, mas insuficiente para compensar o recuo dos pesados. No consolidado, a produção de veículos pesados somou 73.039 unidades no semestre, redução de 11,1%.
O que está pressionando o mercado
Dois fatores explicam o cenário: a manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado e as dificuldades do agronegócio, que reduzem a demanda por frete e, consequentemente, por caminhões novos. A isso se soma a ausência de novos incentivos federais.
Nem mesmo as duas etapas do programa de renovação de frota Move Brasil foram suficientes para reverter a queda. Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, o governo informou que não há espaço fiscal nem tempo hábil para lançar uma terceira rodada de estímulos. “Já ouvi isso de autoridades tanto pela questão fiscal quanto pela questão eleitoral”, afirmou.
Os recursos remanescentes do Move 1 e Move 2 serão os únicos estímulos disponíveis para o restante do ano. Calvet reconheceu que os programas ajudaram a reduzir a intensidade da retração, mas não foram capazes de revertê-la.
Projeções para o ano
A Anfavea revisou para baixo suas projeções. A entidade estima que a produção de caminhões encerre 2026 em 118.153 unidades, queda de 4,8% em relação a 2025. Já as vendas devem somar 106,7 mil unidades, recuo de 5,9% .
O presidente da Anfavea destacou a magnitude da crise: “Em dois anos, estamos falando de menos 18 mil unidades, um volume equivalente ao tamanho do mercado argentino de caminhões.”
Para o transportador, o recado é claro: o mercado de caminhões novos continuará apertado, com reflexos nos preços de seminovos, nas condições de financiamento e no planejamento de renovação de frota. A gestão de ativos e a manutenção preventiva ganham ainda mais importância neste cenário.
Fonte: Transporte Moderno, com dados da Anfavea
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