Biometano pode acelerar descarbonização do transporte pesado, aponta estudo da CNT

Combustível renovável produzido a partir de resíduos reduz emissões comparado ao diesel. Brasil produz 3,7 milhões de m³/dia, mas expansão depende de infraestrutura e políticas públicas.

O biometano, produzido a partir de resíduos agrícolas, industriais e urbanos, tem potencial para reduzir as emissões de gases do efeito estufa no transporte rodoviário pesado em comparação ao diesel, contribuindo para a descarbonização do setor. Essa é uma das principais conclusões do estudo “Biometano: Uma alternativa limpa para o modal rodoviário”, elaborado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e apresentado durante a 3ª edição do CIBiogás Conecta Transporte Pesado, realizada em 16 de julho, em São Paulo.

O que é o biometano

O biometano é produzido a partir da purificação do biogás gerado pela decomposição de resíduos orgânicos provenientes da agropecuária, do saneamento, da indústria e dos resíduos sólidos urbanos. Após esse processo, o combustível adquire características semelhantes às do GNV (gás natural veicular), de origem fóssil, podendo abastecer caminhões e ônibus preparados para essa tecnologia.

Além de reduzir significativamente as emissões de gases do efeito estufa, o biometano contribui para:

Diminuir a dependência de combustíveis fósseis
Fortalecer a economia circular transforma resíduos em energia renovável
Aproveitar a capilaridade do agronegócio principal fonte de matéria-prima

Viabilidade técnica já existe

O levantamento da CNT demonstra que o transporte rodoviário brasileiro já dispõe de caminhões e ônibus aptos a utilizar o biometano, evidenciando a viabilidade técnica da tecnologia. Não há barreira tecnológica significativa para a adoção, o gargalo está em outra ponta.

Os gargalos para expansão

A ampliação do uso do biometano ainda depende de quatro fatores críticos:

  1. Expansão da infraestrutura de distribuição postos de abastecimento ainda são escassos
  2. Aumento da oferta nacional produção precisa escalar para atender demanda potencial
  3. Redução do custo dos veículos compatíveis caminhões a gás ainda têm custo de aquisição mais elevado
  4. Políticas públicas de estímulo incentivos fiscais e subsídios podem tornar o combustível mais competitivo

O potencial brasileiro

A publicação da CNT destaca o potencial do Brasil para ampliar esse mercado:

  • São Paulo lidera a produção nacional de biometano veicular, concentrando cerca de 53% da oferta do país entre as unidades habilitadas
  • Considerando plantas autorizadas e em processo de análise, a produção nacional alcança 3,7 milhões de metros cúbicos por dia
  • Desse total, 63% têm origem em resíduos sólidos urbanos

O que isso significa para o transportador

A transição energética no transporte pesado não é mais uma questão de “se”, mas de “quando” e “como”. Para as transportadoras, o biometano representa:

Oportunidade de redução de custos operacionais no médio prazo, dependendo da evolução dos preços relativos ao diesel
Vantagem competitiva em licitações e contratos que exigem metas de sustentabilidade (ESG)
Diversificação da matriz energética da frota, reduzindo exposição a variações do diesel
Alinhamento com tendências regulatórias pressão por descarbonização deve aumentar

Leitura estratégica

Como bem destacou a gerente executiva Ambiental da CNT, Érica Marcos: “O biometano reúne características importantes para acelerar a descarbonização do transporte, mas a transição energética precisa ser sustentável também do ponto de vista econômico. Toda fonte energética precisa oferecer acessibilidade econômica, infraestrutura e segurança para que sua adoção aconteça de forma consistente.”

Para o transportador, a recomendação é clara: monitore de perto o desenvolvimento da infraestrutura de biometano nas regiões onde opera. As primeiras rotas a se beneficiarem serão aquelas com oferta próxima — especialmente em São Paulo, onde a produção já é significativa. Quem se antecipar e estruturar frota preparada para combustíveis renováveis estará um passo à frente quando a infraestrutura alcançar escala.

Fonte: Agência CNT Transporte Atual

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