Carteira de rodovias para 2027 deve prever modelagem com aporte público
O Ministério dos Transportes lança nesta quinta-feira (15) a carteira de projetos para 2027, com R$ 262,68 bilhões em investimentos e a novidade de concessões com aporte público, como na BR-101 do Sul da Bahia. Para o transportador, o sinal é de agenda de infraestrutura robusta, com novos leilões e tarifas que buscam patamar mais sustentável.

A carteira de projetos rodoviários que o Ministério dos Transportes lança nesta quinta-feira (15), planejada para 2027, já trará novidade de estruturação na comparação com os ativos leiloados nos últimos anos. A principal é a previsão de concessões com aporte de recursos públicos.
O que aconteceu
Em rodovias, dos onze leilões projetados, o aporte público deve integrar a modelagem da BR-101 no Sul da Bahia, segundo apurou a Agência iNFRA. No total, a carteira do próximo ano, que já estará sob um novo mandato do Executivo, vai prever R$ 262,68 bilhões em investimentos, sendo R$ 102,68 bilhões dos ativos rodoviários e R$ 160 bilhões de 18 projetos de ferrovias.
A agenda acontece um dia depois de o ministro dos Transportes, George Santoro, assinar com o BNDES a estruturação de novas concessões rodoviárias para cinco trechos localizados em nove estados do Norte e Nordeste, que devem ser ofertados ao mercado a partir de 2028.
O que muda na prática para o transportador
- Tarifa mais sustentável na BR-101 — o aporte do governo “na cabeça”, já no início do contrato, visa trazer o pedágio para um patamar que o volume de tráfego suporta, sem cobrança pesada sobre quem roda;
- Novo modelo de Capex na BR-393 (RJ) — a antiga Rodovia do Aço inaugura um formato mais enxuto na largada, com a forma de bancar as obras definida mais à frente, podendo ser por aporte ou reajuste de pedágio, ponto de atenção para o custo futuro da via;
- Agenda de leilões em curso — a carteira inclui sete ativos que já estavam programados para 2026 e foram adiados, como as concessões do Rio Grande do Sul (Rota Portuária do Sul e Rota Integração do Sul) e três lotes em Santa Catarina;
- Governança compartilhada — a ideia é avançar em projetos feitos em parceria com governos estaduais, com regulação delegada a agências subnacionais, como ocorre na Rota da Celulose, fiscalizada pela AGEMS, o que pode desafogar a ANTT, que já realizou 25 leilões desde 2023.
Onde está o risco
O risco está na transição de gestão. A carteira será entregue ao próximo governo, e dois projetos dependem de acordos com as atuais concessionárias no ambiente da SecexConsenso do TCU. No plano ferroviário, o governo ainda não conseguiu retomar certames desde 2021: a EF-118 está travada em análise no Ministério Público, e Ferrogrão e Malha Oeste seguem no TCU. Atrasos nesses gargalos podem empurrar investimentos para frente.
Onde está a oportunidade
A oportunidade está no volume de obras previsto. A estimativa do ministério é que, com as contratações de 2027, a carteira chegue a R$ 500 bilhões em obras a executar em sete anos, volume que já chama atenção internacional. Os 39 contratos rodoviários federais vigentes somam Capex contratado de R$ 264 bilhões e Opex de R$ 190 bilhões. Para viabilizar o financiamento, o ministro deve anunciar um roadshow com fundos de investimento em Londres após o segundo turno das eleições, impulsionando as debêntures de infraestrutura, criadas em 2024.
Leitura estratégica
Para o SETCOM e suas associadas, a carteira de 2027 confirma que a agenda de concessões rodoviárias seguirá em ritmo acelerado, independentemente do resultado eleitoral. Mais investimentos em rodovias significam pistas melhores, menos tempo parado e custos operacionais mais previsíveis no médio prazo. O ponto de vigilância é o desenho tarifário dos novos contratos: o aporte público na BR-101 é um bom sinal de tarifa equilibrada, mas o modelo de Capex enxuto da BR-393 mostra que nem todo contrato novo virá com obras garantidas na largada. Vale acompanhar os próximos leilões, incluindo o corredor ferroviário Minas-Rio, marcado para 17 de dezembro, que impacta diretamente a logística de Minas Gerais.
Crédito/Fonte Amanda Pupo, Agência iNFRA
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