Redução da jornada pode acrescentar R$ 11,9 bilhões aos custos do transporte de cargas
Estudo da CNT estima alta de 8,66% nas despesas com mão de obra em setor que já enfrenta déficit de mais de 100 mil motoristas.

O primeiro semestre de 2026 impôs uma nova camada de desafios ao Transporte Rodoviário de Cargas (TRC). Responsável por cerca de 65% da movimentação de mercadorias no Brasil, o setor precisou se adaptar simultaneamente a mudanças regulatórias, aumento de custos operacionais, maior rigor na fiscalização eletrônica e escassez de mão de obra — cenário que elevou a complexidade das operações e pressionou a rentabilidade das empresas.
Entre as principais mudanças, estiveram as novas exigências relacionadas ao Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), alterações no Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) e a ampliação dos mecanismos de fiscalização digital. Na avaliação da FETCESP, essas transformações exigiram investimentos em tecnologia e revisão dos processos internos.
Impacto da jornada de trabalho
O tema que mais mobiliza as transportadoras, no entanto, é a discussão sobre mudanças na jornada de trabalho e o possível fim da escala 6×1. Estudo encomendado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) estima que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas poderá elevar em 8,66% os custos com mão de obra no setor, gerando impacto anual de aproximadamente R$ 11,9 bilhões.
O levantamento aponta ainda que seriam necessários cerca de 240 mil novos trabalhadores para manter os atuais níveis de operação e atendimento. A preocupação é ainda mais aguda no TRC, que já enfrenta déficit estimado em mais de 100 mil motoristas profissionais, além da dificuldade para preencher outras vagas operacionais.
Para o transportador, o cenário combina três pressões simultâneas:
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aumento estrutural da folha com a redução da jornada
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escassez de mão de obra qualificada para reposição
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margens apertadas, com diesel representando entre 35% e 50% do custo operacional e defasagem média de 10,1% no frete
Panorama de custos
O diesel segue como principal fator de pressão sobre os custos. Em março, o combustível acumulou alta de 19%, e em algumas operações pode representar mais de 70% do valor total do frete.
Ao mesmo tempo, levantamento da NTC&Logística apontou defasagem média de 10,1% no frete rodoviário no início do ano, comprometendo a capacidade de repasse e reduzindo as margens de operação.
Cenário para o segundo semestre
As empresas também acompanham com atenção o cenário político e econômico, especialmente diante do calendário eleitoral e da implementação gradual da Reforma Tributária. Para a FETCESP, a previsibilidade regulatória será um dos fatores decisivos para a competitividade do setor nos próximos meses.
Para o transportador, o recado é claro: o ambiente de negócios do TRC está mais complexo, com mais variáveis regulatórias, trabalhistas e econômicas em jogo. A capacidade de adaptação, planejamento e gestão de custos será o diferencial competitivo no segundo semestre.
Crédito/Fonte
O Presente Rural, com informações da CNT e FETCESP
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