Novos CIOT e MDF-e elevam pressão operacional sobre transportadoras

Mudanças recentes ampliam a fiscalização eletrônica, exigem mais controle documental e pressionam as transportadoras por adaptação tecnológica e revisão de processos.

As mudanças recentes nas regras do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e do Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) elevaram o nível de exigência operacional no transporte rodoviário de cargas e reforçaram a pressão sobre as transportadoras em um ambiente de fiscalização eletrônica cada vez mais integrado.

Segundo a Fetcesp, o setor passa a operar sob um modelo de controle mais rigoroso, no qual informações fiscais, regulatórias e operacionais são cruzadas automaticamente pelos sistemas da ANTT. Esse cenário amplia o risco de que inconsistências cadastrais ou documentais resultem em autuações, impedimentos operacionais e atrasos na movimentação das cargas.

No caso do CIOT, a ampliação da obrigatoriedade promovida pela Medida Provisória nº 1.343/2026 e por regulamentações posteriores da ANTT passou a atingir praticamente todas as operações de transporte remunerado realizadas por terceiros, incluindo contratações entre embarcadores e transportadoras, além das subcontratações. Na prática, isso amplia o universo de operações sujeitas a controle e aumenta a necessidade de conformidade documental.

Paralelamente, as alterações no MDF-e, implementadas desde outubro de 2025, ampliaram o conjunto de informações obrigatórias e fortaleceram o monitoramento eletrônico das operações. Com os sistemas mais integrados, operações com fretes informados abaixo dos pisos mínimos podem comprometer a emissão do CIOT, afetando diretamente a regularidade da viagem e a fluidez operacional.

Outro ponto que amplia a pressão sobre o setor é a exigência, em vigor desde 1º de junho, para que transportadoras que operam em São Paulo emitam um MDF-e distinto para cada unidade da Federação onde houver descarregamento da carga. Isso eleva o nível de detalhamento exigido das operações e exige maior robustez na gestão documental e na parametrização dos sistemas utilizados pelas empresas.

Os primeiros números do novo sistema do CIOT mostram o tamanho da mudança. Entre os dias 24 e 29 de maio, foram registradas 534.908 operações, com 469.883 declaradas, 53.038 encerradas e 11.932 canceladas. Ao mesmo tempo, a implantação ocorreu em meio a relatos de instabilidades sistêmicas e dificuldades operacionais, o que reforça a preocupação do setor com previsibilidade regulatória e estabilidade tecnológica.

Para o transportador, o impacto é direto. O aumento da fiscalização eletrônica exige investimentos em tecnologia, revisão de fluxos internos, integração entre áreas operacional, fiscal e administrativa, além de maior rigor no tratamento de dados e documentos. O risco, nesse contexto, não está apenas na autuação, mas também na perda de produtividade, na geração de gargalos operacionais e na exposição a insegurança jurídica.

Ao mesmo tempo, há uma oportunidade estratégica para as empresas que avançarem em governança documental, integração de sistemas e padronização de procedimentos. Em um ambiente regulatório mais digital e mais cruzado, a conformidade deixa de ser apenas obrigação e passa a ser fator de eficiência operacional e competitividade.

O tema, portanto, precisa entrar no radar das transportadoras com prioridade. Mais do que acompanhar mudanças normativas, será necessário garantir estrutura tecnológica, estabilidade de processos e capacidade de adaptação para operar com segurança em um cenário de controle mais intenso e margem menor para erro.

Crédito/Fonte
Agência Transporte Moderno

SETCOM — Mais próximo, mais atuante e mais expressivo!

× WhatsApp