Brasil e Argentina alinham plano para transformar Mercosul em polo industrial automotivo

Setor defende atualização do acordo bilateral, integração produtiva e novas regras para ampliar a competitividade regional diante da transformação global da indústria automotiva

Brasil e Argentina deram início a uma nova agenda de convergência industrial com foco no fortalecimento do Mercosul como plataforma exportadora do setor automotivo. O movimento foi discutido durante a Automechanika Buenos Aires 2026, onde representantes de montadoras e da cadeia de autopeças dos dois países defenderam uma atuação mais estratégica do bloco diante da sobreoferta global e da aceleração tecnológica da indústria.

Segundo as entidades, o Mercosul precisa deixar de atuar apenas como administrador do comércio intrarregional para assumir um papel mais ativo na organização da produção industrial e na atração de investimentos.

Atualização do acordo bilateral entra no centro da agenda

Durante o encontro, as associações do setor concordaram em aprofundar o trabalho conjunto com uma visão integrada entre iniciativa privada e poder público, com foco na atualização da Política Automotiva Bilateral, o ACE 14.

A proposta busca responder às mudanças estruturais da indústria global, marcadas pelo avanço de novas tecnologias, pela eletrificação e pelo aumento da concorrência entre regiões produtoras. A avaliação do setor é que a competitividade regional dependerá cada vez mais de coordenação industrial, previsibilidade regulatória e capacidade de adaptação tecnológica.

Participaram da reunião Claudio Sahad, presidente da ABIPEÇAS/SINDIPEÇAS; Rodrigo Pérez Graziano, presidente da ADEFA; Juan César Cozzuol, presidente da AFAC; e Igor Calvet, presidente da ANFAVEA, além de equipes técnicas das entidades.

Região reúne escala de mercado e capacidade produtiva relevante

As entidades destacaram que o setor automotivo regional reúne um mercado de cerca de 350 milhões de pessoas, com potencial de produção estimado em até 5 milhões de veículos e investimentos superiores a US$ 22 bilhões no último triênio.

Brasil e Argentina também concentram participação expressiva na economia industrial de seus países. O setor representa cerca de 20% do PIB industrial brasileiro e 8,4% do argentino. Além disso, o comércio intrarregional responde por algo entre 55% e 70% das exportações de produtos industrializados entre os dois mercados.

No campo do emprego, a cadeia automotiva dos dois países soma mais de 1,9 milhão de postos de trabalho, direta e indiretamente, o que reforça o peso estratégico da atividade para a indústria regional.

Competitividade regional exige abordagem pragmática

Na avaliação das associações, será necessária uma abordagem pragmática para preservar e ampliar a competitividade do Mercosul em meio às mudanças globais. O objetivo é avançar até 2029 na construção de novas regras que favoreçam um ambiente mais equilibrado para investimentos industriais no bloco.

Ao final do encontro, foi apresentada a “Declaração de Buenos Aires”, documento que consolida os princípios da agenda conjunta e sinaliza uma tentativa de reposicionar Brasil e Argentina de forma mais coordenada dentro da nova dinâmica global do setor automotivo.

Movimento tem efeitos indiretos sobre logística e transporte

Embora o foco esteja na indústria automotiva, a agenda de integração produtiva entre Brasil e Argentina também dialoga com a logística e o transporte. Uma maior articulação industrial regional tende a impactar fluxos de cargas, demanda por movimentação de peças e veículos, corredores de exportação e eficiência das cadeias de suprimento no Mercosul.

Nesse contexto, o avanço de regras mais estáveis e de uma estratégia industrial coordenada pode gerar efeitos relevantes sobre planejamento logístico, previsibilidade operacional e circulação regional de mercadorias.

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