ANTT atualiza tabela horas após regulamentação e eleva piso com base no diesel a R$ 7,35

Medida já está em vigor, aciona gatilho legal de revisão e consolida nova fase da fiscalização, com bloqueio preventivo de fretes abaixo do piso mínimo

 

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou, na noite de 20/03/2026, a atualização oficial da tabela do piso mínimo do frete, poucas horas após anunciar um novo modelo regulatório para o transporte rodoviário de cargas. A nova regra já está em vigor em todo o país e foi acionada pelo gatilho legal que determina a revisão da tabela sempre que há variação igual ou superior a 5% no preço do diesel.

Com a média nacional do combustível fixada em R$ 7,35 por litro, segundo a ANP, os coeficientes foram recalibrados para refletir o custo real da operação e reforçar a aderência da tabela à realidade de quem está na estrada.

Na prática, a atualização amplia a precisão do cálculo do frete mínimo e se conecta diretamente a uma mudança estrutural no modelo de fiscalização: a irregularidade deixa de ser tratada apenas depois da infração e passa a ser bloqueada antes mesmo da operação acontecer.

Tabela atualizada e aplicação imediata

A revisão atualiza os valores por quilômetro rodado (CCD) e também os custos de carga e descarga (CC), considerando tipo de carga, número de eixos e modelo operacional.

Entre os exemplos representativos já em vigor, informados pela ANTT, estão:

Carga geral (operação padrão)

  • de R$ 4,0031 a R$ 9,2466 por km, dependendo do número de eixos

  • carga e descarga entre R$ 436,39 e R$ 872,44

Granel sólido

  • de R$ 4,0338 a R$ 9,2662 por km

  • carga e descarga entre R$ 444,84 e R$ 877,83

Carga frigorificada ou aquecida

  • de R$ 4,7442 a R$ 10,9629 por km

  • carga e descarga entre R$ 502,29 e R$ 1.030,58

Carga perigosa (granel líquido)

  • de R$ 4,8611 a R$ 10,2147 por km

  • carga e descarga entre R$ 610,96 e R$ 1.072,44

Carga conteinerizada

  • de R$ 5,1397 a R$ 9,1859 por km

  • carga e descarga entre R$ 526,13 e R$ 855,76

Também foram atualizados os coeficientes para operações com contratação apenas da unidade de tração e para operações de alto desempenho, em uma lógica que busca refletir ganhos logísticos e eficiência operacional.

CIOT passa a bloquear frete irregular antes da viagem

O ponto mais relevante dessa nova fase regulatória é a integração da tabela com a lógica de controle prévio da operação. A partir de agora, o CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte) assume papel central no enforcement da política de pisos mínimos.

Segundo a ANTT:

  • se o valor informado estiver abaixo do piso, o sistema bloqueia automaticamente a operação

  • sem CIOT, não há transporte regular

Esse modelo altera o eixo tradicional da fiscalização. Em vez de depender apenas de autuação posterior em campo, a irregularidade passa a ser tratada no ambiente sistêmico, com maior rastreabilidade, controle documental e prevenção de descumprimentos.

Nova fase da fiscalização

A atualização da tabela não ocorreu de forma isolada. Ela se conecta ao pacote regulatório anunciado no mesmo dia pela ANTT e pelo Ministério dos Transportes, em linha com a Medida Provisória nº 1.343/2026.

Com isso, o setor entra em uma nova etapa de fiscalização, marcada por:

  • tabela atualizada com base nos custos reais

  • bloqueio preventivo de operações irregulares

  • fiscalização mais inteligente e integrada

  • sanções mais efetivas para descumprimento do piso mínimo

Na leitura regulatória, isso representa uma mudança importante: o piso mínimo deixa de depender apenas de repressão posterior e passa a contar com uma barreira tecnológica de entrada.

Impacto para caminhoneiros e mercado

Para o caminhoneiro autônomo, a atualização representa maior previsibilidade, proteção de renda e alinhamento mais fiel entre o valor mínimo do frete e o custo efetivo da operação, especialmente em um momento de diesel mais pressionado.

Para o mercado, o movimento tende a:

  • reduzir distorções concorrenciais

  • elevar a aderência regulatória

  • aumentar a segurança jurídica e operacional

  • diminuir riscos de fretes predatórios

  • fortalecer a estabilidade do abastecimento

Ao reforçar o cumprimento do piso mínimo e impedir contratações abaixo da referência legal, a ANTT sinaliza uma atuação mais incisiva na organização do ambiente concorrencial do transporte rodoviário de cargas.

Leitura estratégica para o setor

Do ponto de vista de compliance, precificação e governança operacional, a atualização exige atenção imediata de:

  • transportadoras

  • embarcadores

  • operadores logísticos

  • áreas comerciais

  • áreas jurídicas e fiscais

A combinação entre revisão automática da tabela, integração sistêmica via CIOT e bloqueio preventivo muda a rotina operacional do setor e exige maior consistência entre formação de preço, contratação e documentação da viagem.

Em termos práticos, o recado regulatório é claro: frete abaixo do piso mínimo passa a encontrar barreira antes mesmo de entrar em circulação.

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