A segunda etapa do fim da desoneração da folha de pagamento entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026 e já começa a produzir efeitos mais intensos sobre o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) — setor responsável por mais de 65% da logística nacional. Em Nota Oficial publicada em 13/01/2026, a NTC&Logística alerta que a reoneração pressiona custos, reduz margens e tende a impactar o valor do frete, com reflexos que podem alcançar toda a cadeia produtiva.
A medida restabelece de forma gradual a contribuição previdenciária de 20% sobre a folha de salários, elevando o custo de uma atividade que é, por natureza, intensiva em mão de obra. Na prática, o TRC sente o aumento de encargos de maneira direta, pois a folha é um dos componentes mais relevantes do custo operacional.
✅ O que muda na prática com a reoneração (2026)
Com a etapa vigente a partir de 01/01/2026, a reoneração amplia a pressão sobre:
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custo fixo (folha e encargos) e, por consequência, a margem operacional;
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precificação do frete (especialmente em contratos que não têm gatilhos automáticos);
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capacidade de investimento (frota, tecnologia, segurança, manutenção e pessoas).
A Nota Oficial reforça que, nesse cenário, o setor tem baixa capacidade de absorção de custos adicionais sem recomposição tarifária.
📌 Números-chave citados pela NTC&Logística (DECOPE)
Segundo simulações realizadas pelo DECOPE da NTC&Logística (Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas):
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o impacto médio direto alcança cerca de 1,5% ao ano;
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considerando também a primeira etapa (iniciada em 01/01/2025), o impacto acumulado pode chegar a até 3% em 2026;
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esse patamar é equivalente a aproximadamente 60% do lucro médio do setor, o que indica risco relevante de deterioração de rentabilidade caso o frete não seja recomposto.
⚠️ Efeito “em cascata”: por que o impacto pode ser maior do que o direto
A Nota destaca que os efeitos não ficam restritos às transportadoras. Reajustes promovidos por:
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fornecedores de serviços (terceiros que repassam aumento de custos), e
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transportadores autônomos agregados (mais sensíveis ao custo e ao caixa),
podem ampliar o impacto total, que pode ser de duas a três vezes superior ao efeito direto. Na prática, isso aumenta a pressão sobre o frete e pode atingir preços ao consumidor, inclusive de bens essenciais.
📉 Defasagem entre frete e custo real: por que “absorver” não é opção
A NTC&Logística aponta que o setor não possui capacidade para absorver novos custos, mencionando pesquisa recente que indica defasagem média superior a 10% entre o frete praticado e o custo real das operações.
Em termos de gestão, isso significa que muitos operadores já estão rodando com margens comprimidas — e a reoneração, sem recomposição, tende a acelerar:
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deterioração de resultado;
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redução de investimento;
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aumento de risco operacional (manutenção e segurança);
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perda de qualidade e previsibilidade de serviço.
🧭 Orientação prática do SETCOM (o que fazer agora – 2026)
Diante do cenário, recomendamos que empresas e lideranças do setor tratem o tema como prioridade de pricing e governança de contratos:
1) Recalcular custo e “memória de cálculo” (compliance de preço)
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atualizar planilhas/sistemas de custo com o novo patamar de encargos;
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preparar justificativa técnica para auditoria interna e negociação com embarcadores.
2) Revisar contratos e gatilhos de reajuste
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identificar contratos sem cláusula de repasse/índice;
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renegociar com base em impacto comprovável, evitando negociação “no achismo”.
3) Alinhar DP/RH + Fiscal + Comercial/Operações
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garantir consistência do impacto na folha e nos preços;
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evitar divergências internas que fragilizam a negociação.
4) Estratégia de comunicação com embarcadores
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reforçar que o impacto é estrutural e pode ser ampliado pela cadeia;
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posicionar recomposição como medida de sustentabilidade do serviço, não apenas aumento de preço.
O SETCOM seguirá acompanhando os desdobramentos da reoneração e orientando o setor com leitura técnica de impacto, apoio institucional e recomendações práticas para precificação e negociação de frete em 2026.
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