Sem avanço na Justiça, projeto do Rodoanel de BH pode ser abandonado pelo governo do Estado

Governo de Minas avalia desistir da obra e redirecionar os R$ 3 bilhões do Acordo de Brumadinho para outras iniciativas, como a expansão do metrô

O projeto do Rodoanel Metropolitano de Belo Horizonte pode ser abandonado pelo Governo de Minas Gerais caso não haja avanço na Justiça nas próximas semanas. Diante dos impasses que seguem travando a implantação da obra, o Estado avalia redirecionar os R$ 3 bilhões previstos no Acordo de Reparação de Brumadinho para outras iniciativas de infraestrutura, entre elas a expansão do metrô de Belo Horizonte.

A possibilidade foi sinalizada pelo atual chefe do Executivo estadual, Mateus Simões, após audiência no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), em Belo Horizonte. O processo está relacionado a uma ação da Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais, que aponta impactos em seis territórios ao longo do traçado previsto para o empreendimento.

Impasse judicial trava a implantação

Inicialmente previsto para começar no ano passado, o Rodoanel segue sem avanço prático em razão de entraves ligados ao licenciamento ambiental e à discussão judicial sobre os impactos do projeto.

Segundo a sinalização do governo, caso não haja definição favorável em curto prazo, a alternativa será solicitar a revisão da destinação dos recursos hoje reservados à obra, permitindo a alocação do montante em outros projetos estruturantes de mobilidade urbana.

Entre as possibilidades mencionadas está a expansão da Linha 1 e a implantação das Linhas 3 e 4 do metrô de BH, o que reforça a leitura de que o Estado pode priorizar ativos com maior viabilidade de execução no curto e médio prazo.

Projeto prevê investimento total de R$ 5 bilhões

O Rodoanel de Belo Horizonte é tratado como um dos projetos mais ambiciosos de infraestrutura da história recente de Minas Gerais. A proposta prevê um traçado de aproximadamente 70 quilômetros (km), passando por oito municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), entre eles Contagem, Betim, Ribeirão das Neves e Santa Luzia.

O investimento total estimado é de R$ 5 bilhões, sendo R$ 3 bilhões oriundos do acordo de reparação de Brumadinho e R$ 2 bilhões da concessionária responsável.

De acordo com a concessionária, o início das obras depende da emissão da licença ambiental de competência do Estado. Até lá, a empresa informou que aguarda os desdobramentos sem se manifestar sobre as decisões do governo.

Se houver decisão favorável, obras podem começar no segundo semestre

Apesar do cenário de incerteza, o projeto ainda não está definitivamente descartado. Caso haja decisão favorável nos próximos dias, a expectativa é que as obras sejam iniciadas no segundo semestre deste ano.

Nesse cenário, a proposta permaneceria inalterada, com execução em diferentes frentes de intervenção, priorizando etapas mais complexas, como:

  • pontes e viadutos

  • drenagens

  • terraplenagens com alto volume de escavação

Segundo a concessionária, não haveria necessidade de realocação das seis comunidades quilombolas localizadas nas proximidades do traçado.

Impacto potencial sobre logística e economia regional

A eventual viabilização do Rodoanel é vista como relevante para a mobilidade metropolitana e para a logística regional, especialmente por sua capacidade de reorganizar fluxos viários, reduzir gargalos e ampliar a atratividade do eixo metropolitano para novos investimentos.

As estimativas citadas apontam potencial de elevar entre 7% e 13% o Produto Interno Bruto (PIB) da região em dez anos, além de crescimento da produção entre 0,8% e 1,3% no mesmo período.

Também há previsão de geração de cerca de 10 mil empregos durante a fase de implantação, o que reforça o peso econômico e estrutural do projeto.

Leitura estratégica para o setor

Para o transporte e a logística, o caso expõe um ponto crítico da agenda de infraestrutura brasileira: a distância entre projetos de grande impacto econômico e sua efetiva execução.

O impasse do Rodoanel mostra como fatores como:

  • judicialização

  • licenciamento ambiental

  • conflitos territoriais

  • segurança regulatória

  • governança de implantação

podem alterar de forma decisiva o cronograma, a alocação de recursos e a materialização de ativos estratégicos.

Se confirmada a desistência, o redirecionamento dos recursos para a expansão do metrô indicará uma mudança relevante de prioridade na política de infraestrutura do Estado. Se houver destravamento judicial, o projeto volta ao centro da agenda logística metropolitana.

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