Novo cálculo de pedágio eleva cobrança de veículos comerciais em todo o país
A metodologia das novas concessões de rodovias federais passa a multiplicar por três (3x) a Tarifa Básica de Pedágio por eixo, ante as duas vezes (2x) anteriores. Para o transportador, o recado é de impacto direto no custo da operação: caminhões e ônibus pagam por eixo, e a mudança tende a repercutir no frete, nos custos logísticos e nos preços dos produtos transportados.

A definição das tarifas de pedágio para veículos comerciais nas novas concessões de rodovias federais passa por uma mudança na metodologia de cálculo, com a adoção de um novo multiplicador. Com a alteração, prevista nos projetos da 6ª Etapa do Programa de Concessões de Rodovias Federais, cada eixo do veículo passa a corresponder a três vezes (3x) a tarifa básica de pedágio (TBP). Anteriormente, cada eixo equivalia a duas vezes (2x) a TBP.
O que aconteceu
Como caminhões e ônibus pagam pedágio conforme o número de eixos, a alteração aumenta o valor cobrado desses veículos. Um caminhão de oito eixos, por exemplo, passa a ter equivalência tarifária de 12 eixos, enquanto um veículo de nove eixos passa a equivaler a 13,5 eixos.
A mudança já havia sido questionada em julho pela ANUT (Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga), que estimou, com base em sete projetos de concessão, um custo adicional de R$ 42 bilhões em pedágios ao longo da vigência dos contratos. A entidade também questionou a ausência de uma análise de impacto regulatório e de audiência pública específica sobre a alteração.
A CNT levou o tema ao Ministério dos Transportes e solicitou informações sobre os fundamentos técnicos, econômicos e regulatórios utilizados para definir o novo multiplicador. Segundo informações apresentadas pelo Ministério à Confederação, a mudança considera o impacto dos veículos comerciais sobre a infraestrutura rodoviária. Para a entidade, porém, é necessário conhecer os estudos que fundamentaram a alteração, uma vez que a cobrança por eixo já estabelece uma diferenciação conforme as características dos veículos, com caminhões de maior número de eixos pagando valores superiores.
“É importante conhecer os critérios que fundamentaram essa alteração e avaliar seus efeitos sobre o transporte rodoviário de cargas e de passageiros. Mudanças na política tarifária precisam considerar a realidade operacional do setor e seus possíveis reflexos para as empresas, os usuários e toda a cadeia produtiva”, afirmou Vander Costa.
Impacto nos custos do transporte
A discussão sobre o multiplicador tem reflexos diretos sobre a atividade transportadora. Para o transporte rodoviário de cargas, o pedágio integra os custos de operação e pode repercutir sobre o valor do frete, os custos logísticos e os preços dos produtos transportados. No transporte de passageiros, a alteração também pode afetar empresas que operam linhas em trechos concedidos e, consequentemente, as tarifas pagas pelos usuários.
Em um dos projetos analisados pela CNT, o projeto da Rota Gerais, a estimativa é que a mudança no multiplicador represente aproximadamente 6% de impacto sobre a tarifa final. O percentual não corresponde diretamente aos 50% de aumento do multiplicador, já que o efeito depende da estrutura de cada concessão.
“O veículo comercial já paga proporcionalmente ao número de eixos e, portanto, ao impacto que causa na rodovia. O que precisamos entender é a base técnica para mudar essa proporção de duas para três vezes. Essa metodologia precisa ser transparente e considerar também os efeitos sobre o transporte de cargas, de passageiros e sobre toda a cadeia produtiva”, explicou a gerente-executiva para Governo Federal da CNT, Danielle Bernardes.
O contexto das concessões
O debate ocorre em um momento de expansão das concessões para rodovias com diferentes níveis de tráfego. Entre as alternativas em estudo pelo Governo Federal está a possibilidade de reduzir ou isentar o pedágio para veículos leves, conforme a viabilidade econômico-financeira de cada projeto. Em rodovias de menor tráfego, a menor arrecadação exige estudos específicos para garantir a sustentabilidade das concessões.
A CNT defende que a análise seja feita caso a caso, considerando a demanda, os investimentos necessários e a capacidade de geração de receitas. Rodovias estratégicas para o país que não apresentem viabilidade econômico-financeira para a iniciativa privada podem demandar investimentos públicos.
O que muda na prática para o transportador
- Custo de pedágio maior por eixo — com o multiplicador de 3x, caminhões e ônibus pagam mais nas novas concessões, e o impacto cresce com o número de eixos da composição;
- Impacto direto no frete — o pedágio integra o custo da operação; o aumento tende a repercutir no valor do frete e, em cadeia, nos custos logísticos e nos preços dos produtos transportados;
- Risco de custo adicional bilionário — a ANUT estima R$ 42 bilhões em pedágios adicionais ao longo dos contratos, com base em sete projetos de concessão;
- Transparência e base técnica em questão — CNT e ANUT cobram os estudos que fundamentaram a mudança e apontam a ausência de análise de impacto regulatório e audiência pública específica;
- Acompanhamento caso a caso — o efeito varia por concessão (no projeto Rota Gerais, cerca de 6% sobre a tarifa final), exigindo que a transportadora avalie o impacto em cada trecho que opera.
Onde está o risco
O risco imediato é de custo: o novo multiplicador eleva o pedágio de veículos comerciais nas novas concessões, pressionando a planilha de custos e o frete. O risco estratégico é de acúmulo de impacto: em um setor de margens apertadas, o aumento do pedágio soma-se a outros custos da operação e pode reduzir a competitividade das transportadoras que dependem de trechos concedidos, além de encarecer a cadeia produtiva como um todo.
Onde está a oportunidade
A oportunidade está na participação e no acompanhamento técnico. O tema está em debate com o Ministério dos Transportes, e CNT e ANUT cobram transparência sobre os estudos que fundamentaram a mudança. Para o transportador, acompanhar a tramitação, conhecer o impacto por concessão e participar do debate setorial são passos que ajudam a evitar a absorção silenciosa do custo e a defender uma política tarifária que considere a realidade operacional do TRC.
Leitura estratégica
A mudança no multiplicador de pedágio das novas concessões é um tema que entra no radar do transportador por um motivo simples: pedágio é custo de operação, e custo de operação define o frete. A discussão sobre a base técnica da alteração, o impacto por eixo e a transparência da política tarifária não é apenas regulatória, é de competitividade. Quem acompanha o tema, dimensiona o impacto por rota e participa do debate setorial transforma a mudança em gestão de custo, e não em surpresa na planilha.
Crédito/Fonte Agência CNT Transporte Atual
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