O mercado doméstico de implementos rodoviários encerrou 2025 com 149.206 unidades emplacadas, segundo dados consolidados pela ANFIR. O volume representa uma retração de 6,28% em comparação com 2024, quando foram comercializadas 159.203 unidades.

Apesar da queda no agregado, os números mostram uma divisão clara entre os dois principais segmentos do setor: Reboques/Semirreboques e Carrocerias sobre chassis, com comportamentos praticamente opostos ao longo do ano.


1) Reboques e semirreboques puxam a retração

O segmento de Reboques e Semirreboques foi o principal responsável pela queda do mercado em 2025, registrando recuo de 19,87%:

  • 2025: 70.997 unidades

  • 2024: 88.599 unidades

Dentro do segmento, várias famílias de produtos tiveram queda relevante, especialmente aquelas mais conectadas ao agronegócio e a cargas de commodities. Entre os destaques citados:

  • Graneleiro/Carga Seca: -31,12%

  • Basculantes: -29,38%

  • Outras categorias também recuaram, como Dolly (-32,51%), Tanque de Carbono (-45,11%) e Canavieiro (-29,46%).

O presidente da ANFIR, José Carlos Sprícigo, atribuiu o desempenho negativo à conjuntura do campo, com o agronegócio “caminhando de forma lateral” no período, influenciando diretamente a demanda por esse tipo de implemento.


2) Carrocerias sobre chassis crescem e amortecem a queda

Na contramão do segmento anterior, Carrocerias sobre chassis registraram crescimento de 10,77%, funcionando como um amortecedor parcial do resultado total:

  • 2025: 78.209 unidades

  • 2024: 70.604 unidades

O avanço foi distribuído em diversas famílias, com destaque para:

  • Baú Alumínio/Frigorífico: +10,64% (de 30.062 para 33.262)

  • Carrocerias Graneleiras/Carga Seca: +6,86%

  • Baú Lonado: +46,47%

  • Outras/Diversas: +22,59%

  • Também houve crescimento em Basculantes (+8,30%) e Tanques (+10,48%) no segmento de carrocerias.


3) Exportações sobem forte (até outubro)

Mesmo com enfraquecimento do mercado interno, as exportações do setor apresentaram crescimento expressivo (dados consolidados até outubro):

  • +52,55%, de 2.706 para 4.128 unidades exportadas

O movimento sugere estratégia das fabricantes para diversificar receita e compensar a demanda doméstica mais fraca.


4) O que isso sinaliza para o TRC (leitura prática)

Para empresas do Transporte Rodoviário de Cargas, os dados ajudam a calibrar decisões de 2026 em três frentes:

  1. Planejamento de CAPEX e renovação

    • Quedas fortes em semirreboques podem indicar competição maior e possível readequação de oferta (mas preços dependem de crédito, câmbio, aço e demanda regional).

  2. Disponibilidade e prazo de entrega

    • Com exportações crescendo, pode haver pressão de capacidade industrial em alguns players/linhas, afetando lead time de entrega.

  3. Mix de operação

    • A alta em carrocerias (especialmente baú/frigorífico) pode refletir demanda logística mais dinâmica (distribuição, perecíveis, e-commerce), útil para benchmarking de frota por tipo de carga.

Se você quiser, eu adapto este texto para o recorte do SETCOM (TRC local) com “o que muda para o associado” em linguagem ainda mais operacional.


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