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Diesel sobe 15,26% em 2026 e pressiona margem do TRC

Diesel sobe 15,26% em 2026 e pressiona a margem do transportador

Boletim da CNT mostra diesel a R$ 7,33 por litro, lubrificantes 14,09% mais caros e pedágio 4,65% acima, com Selic em 13,75% ao ano. Para o transportador, o cenário é de recomposição de custo imediata: frete defasado e capital de giro caro corroem o resultado da operação.

A alta do diesel, que voltou ao centro das discussões sobre o mercado de combustíveis após chegar a R$ 7,33 por litro no Brasil, é parte de um cenário econômico de forte pressão sobre as margens do transporte. Dados do Boletim de Conjuntura Econômica de outubro da CNT mostram que outros componentes dos custos operacionais também registraram aumento neste ano, reforçando a importância de monitorar os preços dos insumos e as condições econômicas que influenciam a atividade dos negócios.

O que aconteceu

Até setembro, o preço do óleo diesel subiu 15,26%, segundo o IPCA, impulsionado pela valorização do petróleo Brent ao patamar de US$ 100,00. Naquele mês, o combustível avançou 1,69%, após quatro meses consecutivos de queda, mesmo com a subvenção federal de R$ 2,12 por litro. Esse choque de custos em 2026 contrasta com o observado no mesmo período de 2025, quando o acréscimo era de 1,57%.

O movimento inflacionário também se estendeu a outros insumos relevantes. O óleo lubrificante ficou 14,09% mais caro entre janeiro e setembro, ante 1,58% no mesmo período do ano anterior. Já o pedágio encareceu 4,65%, revertendo a queda de 2,53% observada nos nove primeiros meses de 2025.

O que muda na prática para o transportador

  1. Custo por quilômetro defasado — com diesel a 15,26% e lubrificantes a 14,09%, a planilha de custo que serviu de base para contratos antigos já não cobre a operação; é hora de recalcular o custo por quilômetro e renegociar cláusulas de reajuste;
  2. Capital de giro mais caro — a Selic permaneceu em 13,75% ao ano em outubro; mesmo após cinco reduções consecutivas que totalizaram 1,25 ponto percentual desde março, o Brasil segue com o maior juro real entre as principais economias, em 8,77% ao ano;
  3. Renovação de frota encarecida — juros altos elevam o custo de capital tanto para capital de giro quanto para aquisição de equipamentos, exigindo análise criteriosa do retorno de cada investimento;
  4. Pedágio deixa de ser alívio — a alta de 4,65% reverte o cenário de queda de 2025 e reforça a importância do controle de passagens, especialmente com a expansão do free flow.

Onde está o risco

O risco é de compressão de margem em cadeia. Em setembro, o IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4,58%, acima do teto de 4,5% da meta de inflação, e o grupo Transportes acumulou variação de 3,94% no período. Ao mesmo tempo, a atividade perde dinamismo: segundo a PMS do IBGE, as atividades de transporte, serviços auxiliares e correio recuaram 1,5% de janeiro a agosto de 2026 na comparação com o mesmo período de 2025. Custo subindo com demanda fraca é a combinação mais difícil de repassar ao cliente.

Onde está a oportunidade

A oportunidade está no rigor analítico da gestão de custos. O transporte terrestre cresceu 0,8% no período, impulsionado pelas altas de 2,6% no transporte rodoviário de passageiros e de 0,5% no de cargas, o que mostra espaço para negociação com embarcadores que dependem do modal. Para Fernanda Rezende, diretora executiva da CNT, a análise conjunta dos indicadores é fundamental: “A evolução dos custos dos insumos, combinada às condições de crédito e ao comportamento da atividade econômica, reforça a importância do planejamento das empresas de transporte e do acompanhamento do cenário econômico detalhado para a tomada de decisões”.

Leitura estratégica

Para o SETCOM e suas associadas, o boletim confirma que 2026 é ano de gestão de margem, não de volume. O recado prático é triplo: recalcular o custo por quilômetro com os preços de setembro, revisar contratos com cláusula de reajuste vinculada a índice e priorizar eficiência operacional (consumo, rota, manutenção e controle de pedágio) antes de buscar crédito caro para expandir frota. Quem trata custo como dado e não como estimativa negocia frete com argumento, não com apelo.

Crédito/Fonte Daniel Fernandes, CNT

SETCOM

 

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