• 23 de outubro de 2026
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Caminhões elétricos ou a gás? Transportadoras avaliam alternativas ao diesel

O setor de transportes responde por 22,8% das emissões de CO₂ do Brasil, com 89,9% atribuídos ao modal rodoviário. Para o transportador, a decisão entre elétrico, GNV, biometano e eficiência energética não é tecnológica, mas operacional: depende da rota, da autonomia e da infraestrutura disponível.

A substituição do diesel por fontes de energia menos poluentes começa a ganhar espaço nas transportadoras brasileiras. Caminhões elétricos, veículos movidos a gás natural veicular (GNV) e o uso de biometano estão entre as alternativas avaliadas pelo setor. Entretanto, a viabilidade de cada tecnologia depende do tipo de operação, das distâncias percorridas e da infraestrutura disponível.

O que aconteceu

Segundo dados da CNT, citados no material divulgado pela transportadora West Cargo, o setor de transportes responde por 22,8% das emissões de CO₂ do Brasil. Desse total, 89,9% são atribuídos ao modal rodoviário e às fontes móveis. A redução dessas emissões representa um desafio para um país que depende fortemente dos caminhões para o transporte de mercadorias.

O que muda na prática para o transportador

  1. Elétrico é para rota curta e previsível — a utilização de caminhões elétricos tende a ser mais favorável em trajetos curtos, especialmente quando os veículos retornam regularmente a uma base equipada com infraestrutura de recarga. Autonomia, tempo de carregamento, peso transportado e investimento em infraestrutura são fatores decisivos;
  2. GNV atende trajetos regionais — os caminhões a GNV apresentam possibilidades em percursos regionais e corredores com postos de abastecimento disponíveis. Por ser fóssil, o gás natural não elimina as emissões, e sua vantagem depende das condições de operação e da cadeia de produção, incluindo possíveis vazamentos de metano;
  3. Biometano é a aposta renovável — combustível produzido a partir do tratamento de biogás, oferece maior potencial de redução de emissões, mas ainda depende da disponibilidade regional do combustível e da infraestrutura de distribuição;
  4. Eficiência energética segue como medida imediata — enquanto novas tecnologias são testadas, reduzir o consumo da frota convencional continua sendo caminho para cortar custos e emissões, com renovação de veículos, treinamento de motoristas, manutenção preventiva e telemetria.

Onde está o risco

O risco é investir na tecnologia errada para a operação errada. A West Cargo iniciou, em 2025, testes com caminhões elétricos e a GNV, monitorados por telemetria para comparar consumo, autonomia, desempenho e custos com os modelos a diesel. Os resultados preliminares indicam melhor adequação dos elétricos aos trajetos curtos, enquanto os modelos a GNV apresentam maior flexibilidade para operações regionais, especialmente no transporte entre aeroportos. A empresa não divulgou dados comparativos de custo por quilômetro, autonomia efetiva, investimento na aquisição ou redução de emissões obtida com cada tecnologia, o que reforça a cautela: sem dados da própria operação, a decisão é especulativa.

Onde está a oportunidade

A oportunidade está na escolha orientada por rota e por dados. Para Luigi Rosolen, diretor da West Cargo, a transição precisa ser feita com responsabilidade: “Começamos com uma frota reduzida justamente para testar as tecnologias na prática e comparar consumo, custo, autonomia e desempenho com os veículos a diesel. A transição energética precisa ser feita com responsabilidade, já que cada operação possui características diferentes”. “Não existe uma única tecnologia capaz de substituir toda a frota da mesma maneira. Hoje, o GNV apresenta uma possibilidade mais ampla para operações mais distantes, enquanto o elétrico é aplicável para rotas mais curtas e previsíveis. A escolha precisa partir da realidade de cada rota”, explica.

A empresa informa que seu programa de controle de consumo de diesel, o Plano de Kilometragem e Média (PKM), teria evitado a emissão de mais de 210 toneladas de CO₂ em 2025, com metas de consumo conforme o modelo do caminhão, a topografia e as características das rotas, e incentivos financeiros aos motoristas que atingem os resultados.

Leitura estratégica

Para o SETCOM e suas associadas, a experiência da West Cargo confirma que a descarbonização da frota não tem bala de prata. Elétrico, gás natural, biometano e eficiência energética deverão atender a diferentes necessidades operacionais, conforme os custos, a infraestrutura e as características de cada rota. O recado prático é duplo: começar medindo o consumo atual da frota e testar novas tecnologias em escala reduzida antes de comprometer capital. Quem estrutura a decisão com dados de telemetria e metas de consumo reduz risco, corta custo e se posiciona melhor na agenda ESG que já pesa em crédito, contratação e regulação.

Crédito/Fonte Estradas.com.br

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