• 20 de outubro de 2026
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Coalizão Brasil pela Descarbonização avança na agenda para o setor transportador e prepara nova etapa

A iniciativa coordenada pelo Sistema Transporte mapeou 90 alavancas para reduzir emissões e estima queda de 70% nas emissões do setor até 2050. Para o transportador, o recado é direto: descarbonização já pesa em crédito, contratação e regulação, e a nova etapa, lançada na COP31, vai do diagnóstico à implementação.

A descarbonização do transporte brasileiro depende de soluções tecnológicas, investimentos em infraestrutura e articulação entre empresas, entidades e poder público. Para contribuir com esse processo, a Coalizão para a Descarbonização dos Transportes reuniu organizações do setor e desenvolveu um diagnóstico com 90 alavancas para a redução das emissões de gases de efeito estufa, além de estimar os impactos potenciais das medidas até 2050. A iniciativa avança agora para uma nova etapa, com foco na implementação das recomendações, com lançamento previsto para novembro, durante a COP31.

O que aconteceu

Coordenada pelo Sistema Transporte, pelo CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), pela Motiva e pelo Insper, a Coalizão mobilizou mais de 120 organizações. O estudo “Coalizão dos Transportes: como tornar o setor de transportes um contribuidor ativo para a redução das emissões brasileiras”, publicado em 2025, destaca três frentes prioritárias: mudança na matriz de transportes, expansão dos biocombustíveis e eletrificação, associada a tecnologias Power-to-X.

Segundo o relatório, a implementação das medidas pode reduzir em cerca de 70% as emissões de CO2 equivalente do setor até 2050, em comparação com um cenário de inação. Entre as soluções, estão: maior participação dos modos ferroviário e aquaviário no transporte de cargas; uso de combustíveis de menor emissão; eletrificação de veículos e desenvolvimento de alternativas energéticas para atividades de maior complexidade.

O que muda na prática para o transportador

  1. Renovação de frota entra no radar — o estudo aponta oportunidades na renovação de frotas, na melhoria da infraestrutura e na otimização das operações, frentes que impactam diretamente o custo por quilômetro e a competitividade da transportadora;
  2. Critério de contratação — grandes embarcadores já monitoram fornecedores por risco ESG, e a agenda da Coalizão reforça que quem não reporta emissões tende a ficar fora das cadeias logísticas mais exigentes;
  3. Acesso a crédito — a transição para uma economia de baixo carbono vem acompanhada de critérios financeiros que consideram emissões e preparo climático na avaliação de crédito;
  4. Viabilidade técnica e econômica — a adoção das medidas deve considerar as particularidades de cada atividade e região, o que abre espaço para que o setor transportador participe do desenho das soluções, e não apenas as receba prontas.

Onde está o risco

O risco é ficar para trás na transição. A segunda fase será desenvolvida sob a perspectiva da Coalizão Brasil pela Descarbonização, que amplia o escopo para os setores de Transporte, Agricultura, Energia e Mineração, com objetivo de estruturar soluções compartilhadas e mecanismos de governança e monitoramento dos avanços. A iniciativa busca contribuir para a implementação da NDC brasileira, em alinhamento ao Plano Clima, à Belém Mission 1.5°C e ao Acordo de Paris. Transportadoras que não acompanharem essa agenda podem perder espaço em contratos que exijam relatórios de emissões e práticas sustentáveis.

Onde está a oportunidade

A oportunidade está em transformar diagnóstico em ação. Para Vinicius Ladeira, diretor-adjunto nacional do SEST SENAT e líder do projeto Transporte e a COP31, o desafio agora é fortalecer a articulação entre os agentes envolvidos e transformar as recomendações em resultados, respeitando as características de cada segmento: “A primeira etapa da Coalizão mostrou que o setor de transportes dispõe de diferentes caminhos para avançar na descarbonização, o desafio agora é fortalecer a articulação entre os agentes envolvidos, identificar as condições necessárias para viabilizar essas soluções e transformar as recomendações em resultados”.

“A próxima fase amplia a oportunidade de construir soluções que conectem diferentes setores da economia. O transporte tem uma relação direta com a energia, a produção agrícola e a mineração, por exemplo. Ao aprofundar essas conexões, podemos fortalecer a cooperação entre as organizações e criar condições para acelerar a transição para uma economia de baixo carbono”, destaca Ladeira.

Leitura estratégica

Esta reportagem integra a série Rumo à COP31, que apresenta estudos e iniciativas do Sistema Transporte na preparação para a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que será realizada de 9 a 20 de novembro, em Antália, na Turquia. Em Antália, a participação do Sistema Transporte inclui o Pavilhão Internacional do Transporte, na Blue Zone da COP31, desenvolvido em parceria com a SLOCAT Partnership.

Para o SETCOM e suas associadas, a leitura é clara: a agenda ESG que o sindicato já conduz com as associadas, do Selo ESG Cargas da ANTT às campanhas de descarte consciente, está alinhada ao movimento nacional. A descarbonização deixou de ser pauta de conferência internacional e virou critério de crédito, de contratação e de regulação. Quem começa a medir emissões, renovar frota e otimizar operações agora sai na frente, com custo menor e acesso a mercados mais exigentes.

Crédito/Fonte Agência CNT Transporte Atual

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