Produção de combustíveis da Petrobras sobe 10,9% no 2º trimestre; diesel tem alta de 12,4%

Refinarias operam a 101% da capacidade. Produção de diesel atinge 509 mil bpd. Vendas internas de diesel crescem 2,9% ante 2025, puxadas por sazonalidade.

A produção de derivados da Petrobras subiu 10,9% entre abril e junho de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025, para 1,92 milhão de bpd (barris por dia). Na comparação com os três primeiros meses do ano, a produção saltou 5,6%. Os dados constam do relatório de produção do segundo trimestre, comunicado ao mercado na noite de 28 de julho.

O contexto: guerra e estratégia de produção

O período é marcado pela incidência da guerra, que fez os preços internacionais de derivados dispararem. A Petrobras ficou a maior parte do tempo sem importar combustível retomando as importações apenas em junho. A estratégia foi ampliar a produção própria para cumprir as cotas contratadas, levando o FUT (Fator de Utilização Total do Parque de Refino) a 101%, acima da capacidade máxima inicialmente prevista. Para efeito de comparação, nos três meses anteriores o FUT ficou em 95%, e há um ano variava em torno dos 90%.

Produção por derivado

Derivado Produção (bpd) Variação vs 1º tri/2026 Variação vs 2º tri/2025
Diesel 509 mil +6,9% +12,4%
QAV (querosene de aviação) 109 mil +14,7% +25,3%
Gasolina 424 mil +1,7% +5,0%

Vendas internas: diesel sustenta demanda

As vendas totais ao mercado interno foram de 1,74 milhão de barris por dia, alta de 1,6% ante o mesmo período de 2025 e leve queda de 0,2% na comparação com o trimestre anterior.

“As vendas de derivados no mercado interno permaneceram em linha com o trimestre anterior, sustentadas pelo avanço do diesel e do GLP, favorecidos por fatores sazonais de demanda, que compensaram a redução observada nos demais derivados”, anotou a companhia.

O volume comercializado de óleo diesel cresceu 2,9% com relação a igual período de 2025 e 0,4% na comparação com o primeiro trimestre. “A sazonalidade do consumo no segundo trimestre costuma apresentar uma demanda maior após a retração da atividade econômica que ocorre no primeiro trimestre. Esse efeito positivo foi parcialmente atenuado pela maior oferta de diesel por outros produtores no período”, detalha a Petrobras.

As vendas de gasolina repetiram o desempenho de um ano atrás e apresentaram diminuição de 2,2% ante o primeiro trimestre de 2026, influenciadas pela maior competitividade do etanol hidratado no período.

Impacto operacional para o transportador

O aumento da produção própria da Petrobras combinado à retomada das importações em junho tem implicações diretas para o transporte rodoviário de cargas:

Maior disponibilidade de diesel — a produção recorde das refinarias reduz risco de desabastecimento em momentos de pico de demanda

Pressão sobre preços — com o FUT a 101%, a Petrobras opera no limite da capacidade. Qualquer variação adicional na demanda pode exigir novas importações, com impacto nos preços internos

Sazonalidade do diesel — o crescimento de 2,9% nas vendas de diesel confirma a resiliência da demanda do setor de transporte, mesmo em cenário de guerra e preços elevados

Competitividade do etanol — a queda nas vendas de gasolina (-2,2%) reflete maior competitividade do etanol, mas o diesel não tem substituto direto em escala no transporte pesado, mantendo a dependência estrutural do derivado

O dado mais relevante para o transportador é o FUT de 101%. Refinarias operando acima da capacidade nominal indicam que o sistema de refino brasileiro está no limite. Qualquer choque de oferta parada programada, acidente ou nova escalada da guerra pode comprimir ainda mais a disponibilidade de diesel e pressionar preços.

Para as transportadoras, a recomendação é manter estoques estratégicos e monitorar de perto os indicadores de produção e importação da Petrobras. A janela de relativa estabilidade proporcionada pelo aumento da produção própria pode se fechar rapidamente se a demanda continuar crescendo.

Fonte: Agência iNFRA

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