Empresas respondem por mais de dois terços do volume de cargas transportadas por rodovias
ETCs dominam 68,45% da atividade medida em TKU, enquanto autônomos respondem por 12%. Dados da ANTT mostram a dimensão da atividade empresarial no transporte rodoviário.

Dos alimentos que chegam aos supermercados aos insumos utilizados pela indústria, grande parte da produção brasileira depende do transporte rodoviário para percorrer o país. Por trás dessa movimentação, está um setor formado por diferentes perfis de operadores, no qual as empresas de transporte de cargas respondem pela maior parcela da atividade.
A dimensão dessa participação pode ser observada nos dados de produção do setor. Segundo a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), as ETCs (Empresas de Transporte de Cargas) são responsáveis por 68,45% do volume de carga transportada, medido em TKU (toneladas por quilômetro útil), enquanto os transportadores autônomos respondem por apenas 12%. Desse total, mais da metade está vinculada às ETCs na condição de agregados ou exclusivos, ficando a cargo dos autônomos algo em torno de 5% do volume transportado.
O indicador TKU e sua importância
O TKU relaciona a quantidade de carga transportada à distância percorrida e ajuda a dimensionar a participação de cada categoria na atividade. Esse é um indicador crítico para entender o peso real de cada segmento no transporte rodoviário — não apenas pelo número de operadores, mas pela capacidade operacional e volume efetivamente movimentado.
A composição do setor: números que revelam concentração
Embora o Brasil tenha 816.806 transportadores autônomos cadastrados, diante de 319.286 empresas de transporte de cargas, as ETCs reúnem 1.971.232 veículos registrados no RNTRC (Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas). Entre os autônomos, são 937.431 veículos.
A leitura conjunta dos indicadores revela que o número de operadores, isoladamente, não traduz a participação de cada categoria na produção do transporte. Mesmo em menor número entre os registros, as empresas reúnem cerca de 1,97 milhão de veículos e respondem por mais de dois terços da atividade medida em TKU.
O que isso significa para o transportador
Essa concentração reflete a estrutura do setor e tem implicações diretas:
✓ Competitividade: Empresas com maior frota conseguem oferecer serviços mais especializados e eficientes, pressionando a margem de autônomos e pequenas operações.
✓ Oportunidades de agregação: Muitos autônomos trabalham como agregados ou exclusivos de ETCs, garantindo fluxo de trabalho mais previsível.
✓ Importância da formalização: Os dados reforçam que a formalização e a estruturação empresarial são fatores críticos para ganhar escala e participação no mercado.
✓ Planejamento logístico: Transportadoras precisam estar atentas à dinâmica do setor e ao papel das ETCs na cadeia de suprimentos.
Perspectiva estratégica
Para o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, os indicadores ajudam a compreender como está estruturado o transporte rodoviário de cargas e a dimensão da atividade empresarial no país. “Quando falamos em transporte rodoviário de cargas, estamos falando de uma atividade que faz parte do dia a dia de toda a sociedade. É o transporte que conecta a produção, movimenta mercadorias e atende às diferentes necessidades da economia brasileira. Os dados mostram a dimensão da participação das empresas nessa atividade e a importância de garantir condições para que o setor continue operando com eficiência e contribuindo para o desenvolvimento do país”, afirma Vander Costa.
Esses dados reforçam a necessidade de políticas públicas e regulatórias que garantam competitividade, eficiência operacional e sustentabilidade do setor — tanto para as grandes ETCs quanto para os transportadores autônomos que integram a cadeia.
Fonte: Agência CNT Transporte Atual / ANTT
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