Anel Rodoviário de BH terá R$ 270 milhões em melhorias e duas novas áreas de escape

Projeto da Prefeitura de Belo Horizonte prevê duas áreas de escape, pavimentação, zeladoria e restrição a veículos pesados em faixas da via; para o transportador, as mudanças impactam segurança, circulação e gestão operacional no corredor.

O Anel Rodoviário de Belo Horizonte deve receber cerca de R$ 270 milhões em melhorias dentro do projeto chamado de Novo Anel, anunciado pela Prefeitura em 15/05. O pacote inclui duas novas áreas de escape, obras de pavimentação, serviços de zeladoria e medidas emergenciais com o objetivo de reduzir acidentes e mortes em uma das vias mais críticas para a mobilidade e para a logística da capital mineira.

O anúncio ganhou ainda mais peso após o acidente registrado em 12/05, quando uma carreta desgovernada atingiu 14 veículos na descida do bairro Betânia, na região Oeste de Belo Horizonte, deixando duas pessoas feridas. O episódio acelerou a adoção das intervenções e recolocou no centro da discussão a necessidade de ampliar a segurança operacional no trecho.

Segundo a Prefeitura, desde que o município assumiu a gestão da via, os indicadores já mostram melhora. Na comparação entre janeiro e fevereiro deste ano e o mesmo período do ano passado, houve redução de 23,8% no total de acidentes. Nos acidentes com vítimas, a queda foi de 30%, enquanto o número de vítimas recuou 33,6%. O dado mais forte apresentado pelo Executivo foi a redução de 66,7% nas mortes nos primeiros dois meses sob a nova administração da via.

Do total de recursos anunciados, cerca de R$ 30 milhões serão destinados à implantação de duas áreas de escape na região do Betânia, com previsão de R$ 15 milhões para cada uma. A medida tem relevância especial para o transporte de carga, já que o trecho é historicamente sensível para veículos pesados, especialmente em situações de perda de freio e descidas críticas.

Na frente de infraestrutura, a Prefeitura informou que serão aplicados R$ 180 milhões em projetos de pavimentação e zeladoria, com recursos da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura. Desse montante, R$ 137 milhões serão destinados às obras de pavimentação, cujo edital já foi publicado e está em processo de licitação. Para serviços de roçada, limpeza e drenagem, classificados como zeladoria, serão destinados R$ 43,4 milhões, com contrato previsto para assinatura em junho.

Outro ponto com impacto direto para o setor é a mudança operacional na circulação. A Prefeitura informou que ficará proibido o tráfego de veículos pesados nas faixas 1 e 2, à esquerda, no trecho entre o início do Anel Rodoviário, na BR-040, e o pontilhão ferroviário. A expectativa do município é que a concentração desses veículos na faixa 3 contribua para reduzir a velocidade e, com isso, aumentar a segurança no trecho.

Para o transportador, essa medida exige adaptação imediata de rotina. Empresas que operam na Região Metropolitana de Belo Horizonte precisarão reforçar a orientação de motoristas, revisar procedimentos de circulação no trecho, ajustar protocolos de segurança viária e monitorar possíveis reflexos sobre tempo de viagem, fluidez e janela operacional. Não se trata apenas de mudança de trânsito, mas de uma alteração com efeito direto sobre a gestão da operação em um eixo relevante do transporte urbano e regional de cargas.

No recorte do TRC, o pacote anunciado pela Prefeitura deve ser lido por dois ângulos. O primeiro é o da mitigação de risco, com mais infraestrutura para reduzir a gravidade de acidentes e dar mais suporte a situações críticas envolvendo veículos pesados. O segundo é o da disciplina operacional, já que novas regras de circulação ampliam a necessidade de compliance, treinamento e atenção à condução em um corredor de alto risco.

Na prática, o Anel Rodoviário de BH passa a exigir das transportadoras uma leitura mais estratégica. A combinação entre investimentos em infraestrutura, novas áreas de escape e restrições operacionais tende a influenciar a forma como as empresas planejam deslocamentos, gerenciam risco e orientam suas equipes. Em um ambiente de pressão por segurança, eficiência e previsibilidade, acompanhar essas mudanças deixou de ser apenas uma questão de trânsito e passou a ser uma pauta de gestão para o transportador.

Crédito/Fonte: Diário do Comércio

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