• 27 de janeiro de 2026
  • SETCOM MG
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O governo federal apresentou, por meio do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o programa Move Brasil, que assegura a destinação de R$ 10 bilhões em créditos com o objetivo de renovar as frotas do país, incentivar a efetividade logística e apoiar a redução de poluentes por meio da troca de caminhões com mais de 20 anos de utilização.

A estrutura do programa foi determinada na Medida Provisória 1.328/2025, publicada no Diário Oficial da União em 16 de dezembro de 2025. A iniciativa abrange pessoas físicas e jurídicas que atuam no Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), incluindo empresas, cooperativas e autônomos. Considerando que esse público concentra o maior número de veículos antigos em circulação, está previsto o direcionamento de R$ 1 bilhão de forma exclusiva. Contudo, o financiamento de caminhões novos será limitado à produção nacional.

O controle dos recursos ficará sob responsabilidade do Ministério da Fazenda, com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como responsável financeiro. As negociações poderão ser intermediadas pelo Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), com promessa de garantia de até 80% do valor financiado.

As condições informadas incluem limite de até R$ 50 milhões por beneficiário, prazo de até cinco anos, e carência de até seis meses. As taxas de juros anuais citadas variam entre 13% e 14%, de acordo com a avaliação de risco do financiado, considerando ainda encargos financeiros e spread bancário.

Para José Alberto Panzan, diretor da Anacirema Transportes e da FETCESP, o Move Brasil é um recurso positivo sob o ponto de vista administrativo por criar uma linha dedicada à renovação de frota e sinalizar apoio ao setor. Contudo, o efeito prático dependerá das condições finais de taxa, prazo e carência, que precisam ser competitivas para viabilizar investimentos. Caso o custo do capital permaneça elevado, a medida pode se tornar limitada ou até ineficiente.

O texto destaca ainda que 2025 foi marcado por desconfiança de parte dos transportadores diante da instabilidade econômica, o que elevou a cautela na hora de assumir investimentos. Assim, a recomendação para 2026 é de prudência, equilibrando expectativas e conectando a decisão de renovação à realidade financeira de cada operação.

Panzan reforça que este é um momento que exige simulação e rigor: avaliar se a operação gera caixa para sustentar a dívida, se o caminhão novo traz ganho real de produtividade e se o financiamento melhora ou piora o equilíbrio financeiro. Ele ressalta que crédito é ferramenta, não solução, especialmente em ambiente de juros altos e demanda frágil.

Além da dimensão financeira, a pauta de sustentabilidade aparece como elemento relevante, já que a MP 1.328/2025 incorpora a intenção de reduzir o uso de diesel no setor e estimular a troca de caminhões antigos por veículos com menor impacto ambiental.

O executivo afirma que, na Anacirema, a renovação de frota é tratada com racionalidade financeira, baseada em análise rigorosa de TCO (custo total de propriedade), impacto no fluxo de caixa, relação entre capacidade contratada e demanda real, e avaliação se o novo ativo gera eficiência ou apenas aumento de endividamento.

Fonte: Na Boleia (19/01/2026).

📍 Recorte SETCOM: o que isso significa para o TRC do Centro-Oeste mineiro

Para as transportadoras da região, o Move Brasil abre oportunidade, mas a decisão precisa ser tratada como projeto financeiro. Na prática, o que define adesão é:

  • Taxa efetiva x geração de caixa: com juros entre 13% e 14% a.a., a operação precisa sustentar a dívida sem comprometer capital de giro.

  • TCO e produtividade: renovar faz sentido quando reduz custo por km e aumenta produtividade de forma mensurável.

  • Prazo/carência e sazonalidade: carência curta pode pressionar caixa; é crucial casar pagamento com ciclo de receita.

  • Risco comercial (contratos): ideal ancorar renovação em capacidade contratada, reduzindo o risco de ativo ocioso.

  • Governança de investimento: simular cenários (base/estresse) e decidir com disciplina financeira.

O SETCOM seguirá acompanhando a evolução do Move Brasil e de outras medidas de crédito e renovação de frota, analisando impactos para o TRC e compartilhando orientações práticas para apoiar decisões mais seguras e sustentáveis.

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