O ano de 2025 foi marcado por dificuldades para as empresas que realizam o transporte rodoviário de caminhões novos, refletindo a retração nas vendas do setor. De acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o mercado encerrou 2025 com uma queda de 8,7%, totalizando 110.873 unidades comercializadas, ante 121.373 no ano anterior.
Segundo a entidade, a retração foi puxada principalmente pela menor demanda por caminhões extrapesados — categoria que, historicamente, concentra 45% a 50% dos licenciamentos, tornando o resultado ainda mais relevante para toda a cadeia automotiva e logística.
Para Danilo Guedes, CEO da ABC Cargas, transportadora especializada no segmento há 28 anos, o período exigiu reposicionamento e busca por alternativas. De acordo com o executivo, empresas e autônomos que planejavam renovar suas frotas encontraram barreiras no crédito, especialmente diante de juros elevados, o que freou as vendas e reduziu a movimentação do transporte de veículos novos.
Perspectivas para 2026: crédito, feira e renovação inevitável
Apesar do tombo em 2025, a expectativa para 2026 é de recuperação gradual, com apoio de maior estabilidade econômica e melhoria nas condições de financiamento. Um fator relevante citado pelo setor é o anúncio do programa Move Brasil, do BNDES, que prevê R$ 10 bilhões em financiamentos com juros reduzidos para aquisição de caminhões.
Na avaliação de Guedes, a renovação de frota tende a acontecer em algum momento, seja por razões operacionais e de eficiência, seja por exigências legais e mudanças regulatórias. Outro catalisador esperado é a realização da Fenatran, principal feira do setor na América Latina, que reúne montadoras, fabricantes de implementos e empresas de logística, criando um ambiente propício para decisões de compra e impactando positivamente toda a cadeia — incluindo empresas especializadas no transporte de veículos.
Preparação para um novo ciclo
Com quase três décadas de atuação, a ABC Cargas afirma ter se preparado para um possível reaquecimento do mercado, com foco em otimização operacional, ajuste de processos e preservação de padrões de serviço, mesmo durante um ano mais fraco.
O executivo ressalta, no entanto, que 2026 exigirá atenção a variáveis externas, como cenário global, mudanças regulatórias e a agenda ambiental, fatores que podem influenciar estratégias de montadoras e transportadores ao longo do ano.
🧭 Leitura prática do SETCOM (o que isso significa para o TRC agora)
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Planejamento comercial por cenários: trabalhar com faixas de demanda (pessimista/base/otimista) para ajustar capacidade e custos.
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Crédito como gatilho de volume: mapear impacto do Move Brasil na sua praça (lead time, mix, sazonalidade e gargalos de pátio).
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Extrapesados no centro do jogo: acompanhar licenciamentos por segmento, porque a virada desse mix muda o ritmo da operação.
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Excelência operacional em baixa é vantagem competitiva: otimizar processos agora para capturar volume quando a curva virar.
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Regulação e ESG no radar: antecipar exigências (ambientais e legais) que podem acelerar ou travar renovações.
O SETCOM acompanha os movimentos de mercado e crédito que impactam diretamente o TRC, conectando informação setorial e leitura prática para apoiar decisões mais seguras e competitivas.
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Fonte: Frota&Cia (21/01/2026).
