O setor de Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) recebeu, em 12/01/2026, comunicado da NTC&Logística, por meio das Câmaras Técnicas de Carga Fracionada (CTF) e de Produtos Farmacêuticos (CTFarma), destacando uma oportunidade estratégica para o mercado: a recomposição tarifária no frete fracionado com foco na eliminação de uma defasagem estimada em 10,88%.
Segundo o comunicado, nos últimos 12 meses houve relativa estabilidade nos preços dos principais insumos operacionais. Ainda assim, a inflação do setor, medida pelo INCT‑F da NTC&Logística, encerrou 2025 em 5,13%. A entidade aponta que a defasagem no frete fracionado chega a 10,88%, resultado da inflação setorial (5,13%) somada ao saldo de reajustes de anos anteriores que não foram repassados integralmente.
A NTC&Logística alerta que ignorar esse momento aumenta o risco para a sustentabilidade das operações no longo prazo. O TRC opera historicamente com margens reduzidas e enfrenta pressões estruturais de custos, o que torna inviável absorver novos aumentos sem repasse aos preços, principalmente em operações de carga fracionada, que possuem maior complexidade operacional e exigência de nível de serviço.
-
Inflação setorial e defasagem tarifária no frete fracionado
O comunicado utiliza o INCT‑F como referência para evidenciar a inflação do setor em 2025 (5,13%). A defasagem total de 10,88% é apresentada como um indicador de que parte do aumento de custo não foi incorporada às tarifas ao longo do tempo. Na prática, essa defasagem tende a se refletir em compressão de margens e redução da capacidade de investimento em frota, tecnologia e segurança. -
Reajuste de mão de obra e escassez de motoristas
Um dos pontos centrais destacados é a pressão de mão de obra. Nos últimos anos, os reajustes salariais do setor ficaram acima da inflação oficial e, em 2025, o índice citado foi da ordem de 7%. O comunicado também ressalta a escassez de profissionais, especialmente motoristas, o que pressiona custos adicionais para atrair e reter mão de obra em um cenário já desafiador. -
Inflação acumulada em cinco anos: 48,35%
Outro dado relevante apresentado é a inflação acumulada de custo operacional em 60 meses, que atingiu 48,35%. O comunicado indica que esse movimento é um dos principais fatores por trás da defasagem tarifária, por pressionar de forma contínua as estruturas de custo das transportadoras e reduzir a margem de manobra para absorção de aumentos. -
Reoneração da folha de salários em 2026
A NTC&Logística reforça o impacto da reoneração da folha. Após a primeira etapa em 2025, a partir de 01/01/2026 a contribuição da empresa sobre a folha passa de 5% para 10%. O aumento tem efeito direto no custo de pessoal, que é apontado como o maior custo do setor, elevando a urgência de recomposição tarifária para preservação da saúde financeira das operações. -
Segurança e tecnologia: investimento contínuo e inevitável
O comunicado também destaca que a ampliação de riscos operacionais, inclusive ameaças cibernéticas, demanda investimentos constantes em prevenção e segurança da informação (PDSI). A ausência de recomposição tarifária reduz a capacidade do setor de manter padrões de excelência, qualidade e segurança, afetando diretamente a continuidade e a confiabilidade do serviço prestado ao mercado. -
Recomposição tarifária como condição de sustentabilidade
A mensagem central do comunicado é que a recomposição tarifária não é apenas uma decisão comercial, mas uma medida necessária para que o TRC mantenha capacidade de investimento, qualidade do serviço e segurança operacional. Como atividade estratégica para a economia nacional, a entidade reforça que a colaboração entre transportadoras, embarcadores e demais elos da cadeia logística é essencial para garantir continuidade do serviço com eficiência e segurança.
SETCOM — Mais próximo, mais atuante e mais expressivo!
