O mercado brasileiro de caminhões usados encerrou 2025 em forte expansão e reforçou seu papel estratégico para o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) em um ambiente de juros elevados, crédito restrito e maior cautela nos investimentos. As transferências de caminhões cresceram 27,7% no acumulado do ano, totalizando 444,8 mil unidades, de acordo com dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), com base nos registros da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).
O desempenho evidencia a relevância do mercado secundário em um contexto no qual a renovação de frota ocorre de forma mais gradual. O envelhecimento da frota nacional, a necessidade de recomposição da capacidade operacional e o alto custo dos veículos zero‑quilômetro levaram transportadores a recorrerem com maior intensidade aos caminhões usados ao longo do ano, segundo análise da Fenauto. Mesmo com momentos de desaceleração da atividade econômica, o segmento manteve volumes elevados e crescimento consistente.
Seminovos lideram a expansão
O avanço do mercado foi puxado principalmente pelos seminovos, com até três anos de uso, cujas transferências aumentaram 40,3% em 2025. O movimento indica que empresas com maior capacidade financeira passaram a buscar veículos mais novos fora do 0 km, equilibrando menor investimento inicial, confiabilidade mecânica e disponibilidade imediata.
Os chamados usados jovens, com idade entre quatro e oito anos, também apresentaram crescimento relevante, de 12,3%. Já os veículos maduros, entre nove e 12 anos de uso, tiveram desempenho praticamente estável, com leve alta de 0,5%, sugerindo um mercado mais próximo da saturação nessa faixa etária. Por outro lado, os caminhões com mais de 13 anos registraram crescimento de 21,0%, sustentados principalmente pela demanda de pequenos transportadores e caminhoneiros autônomos, mais sensíveis às condições de financiamento.
Volvo FH lidera o mercado de usados
Entre os modelos mais negociados no mercado de caminhões usados, Volvo e Mercedes‑Benz seguem dominando as transferências. O Volvo FH foi o modelo mais transferido em 2025, com 2.897 unidades, seguido pelo Ford Cargo (2.621) e pelo Mercedes‑Benz Atego (1.668).
Também figuram entre os modelos mais comercializados o Mercedes‑Benz Axor, o Actros e caminhões clássicos como o Mercedes‑Benz 1113, evidenciando a longevidade desses veículos na frota brasileira. A preferência por marcas tradicionais tende a estar ligada à robustez mecânica, maior oferta de peças e ampla rede de serviços, fatores decisivos no mercado de segunda mão.
Nordeste lidera o crescimento regional
No recorte regional, o crescimento do mercado de caminhões usados foi liderado pelo Nordeste, com alta de 25,3% em 2025. O Centro‑Oeste aparece na sequência, com avanço de 20,9%, impulsionado pela dinâmica do agronegócio e pelo transporte de longa distância. O Sul registrou crescimento de 14,6%, enquanto o Sudeste, maior mercado em volume absoluto, avançou 15,2% no acumulado do ano.
Segundo a Fenauto, o desempenho mais acelerado fora do eixo Sudeste reflete a interiorização da atividade logística, o fortalecimento das cadeias agroindustriais e a expansão da demanda por transporte em regiões com menor acesso ao crédito formal.
Termômetro do TRC e leitura estratégica para 2026
Especialistas apontam que o mercado de caminhões usados funciona como um termômetro da saúde do TRC. Em momentos de incerteza econômica, o segmento tende a ganhar tração ao permitir continuidade operacional sem comprometer de forma agressiva o caixa das empresas.
Com a perspectiva de juros ainda elevados no curto prazo, a expectativa do setor é que o mercado de caminhões usados siga relevante em 2026, tanto como porta de entrada para novos transportadores quanto como alternativa para uma renovação gradual da frota nas empresas já estabelecidas.
Orientação prática do SETCOM
Para empresas do TRC, o cenário reforça a importância de:
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fortalecer rotinas de inspeção técnica e histórico de manutenção na compra de usados;
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recalibrar TCO (custo total de propriedade), considerando manutenção, disponibilidade e consumo;
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revisar políticas de renovação de frota e alocação por operação (curta/média/longa distância);
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alinhar seguro, rastreamento e gestão de risco ao perfil do veículo.
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