Minas Gerais enfrenta um cenário crítico em relação à armazenagem e logística, com gargalos que comprometem diretamente a competitividade do Estado. Segundo especialistas, esses problemas estruturais vêm se agravando ao longo dos últimos anos, impulsionados pelo aumento do consumo, pela necessidade de maior velocidade no abastecimento e por um déficit significativo de capacidade instalada.
Déficit de armazenagem cresce com a demanda
A coordenadora da COMJOVEM Belo Horizonte e Região e gestora de Operações da AD Souza Transportes e Logística, Ana Paula de Souza, explica que a demanda logística mudou drasticamente. O consumo acelerou, o cliente quer rapidez e os prazos de importação encurtaram, mas a infraestrutura não acompanhou esse ritmo.
Um diagnóstico logístico da Infra S.A. aponta que Minas Gerais possui um déficit mensal de armazenagem de grãos entre 2,3 e 2,9 milhões de toneladas — sendo o único Estado do Sudeste com resultado negativo. O número é ainda maior quando se avaliam outros produtos além de grãos.
Falta de planejamento nacional e custos altos desestimulam investimentos
Para o diretor comercial da Tópico, Sergio Gallucci, o problema é resultado da ausência de um plano nacional estratégico de infraestrutura de armazenagem, somado às elevadas taxas de juros que inibem novos projetos. Ele alerta que, ao ignorar a etapa de estocagem, coloca-se pressão excessiva sobre o transporte rodoviário, já operando em limite de capacidade.
Possíveis soluções e iniciativas em andamento
Apesar dos desafios, especialistas destacam caminhos importantes para reverter o quadro. Entre eles estão investimentos em concessões rodoviárias, ampliação da malha logística e novos terminais, como o Centro de Distribuição Avante (CDA), inaugurado em Congonhas. O CDA, voltado para o escoamento mineral, é considerado uma oportunidade concreta de melhoria no fluxo logístico do Estado.
Outro ponto destacado por Gallucci é a adoção crescente de galpões modulares e flexíveis, estruturas que começaram como soluções temporárias, mas se consolidaram como alternativas definitivas. Com montagem rápida, custos competitivos e alta adaptabilidade, esses galpões atendem a diferentes setores — do agronegócio à indústria pesada — e ajudam empresas a ampliar sua capacidade sem grandes investimentos.
Impactos diretos no transporte rodoviário
A falta de armazenagem adequada gera mais caminhões nas rodovias, intensifica o desgaste da malha viária e aumenta o custo do frete. Para a COMJOVEM, esse ciclo cria um ambiente de pressão constante sobre transportadores, reforçando a urgência de políticas públicas e investimentos de longo prazo.
Conclusão
O diagnóstico aponta que Minas Gerais vive um momento decisivo: os gargalos são significativos, mas há iniciativas em andamento capazes de transformar o cenário nos próximos anos. A combinação de concessões, novos terminais e soluções modulares pode reequilibrar a logística regional e reduzir o déficit estrutural de armazenagem.
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